A Garganta da Serpente
Acervo da Sala das Najas Paulo Cheida Sans
(15.05.05 / 14.06.05)

Gravatas e Gravuras - Paulo Cheida Sans

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SOBRE A GRAVURA DE PAULO CHEIDA

O nome de Paulo Cheida – Paulo de Tarso Cheida Sans, nascido em Campinas em 1955 – começou a se tornar conhecido pelos meados da década de 1980, graças à sua múltipla atuação como artista plástico, arte educador, autor de livros e curador de exposições internacionais de gravura. Hoje, quase 20 anos, centenas de exposições e numerosos prêmios depois, ele reúne 50 estampas de várias técnicas e generosas dimensões produzidas entre 1977 e 2002, em mostra antológica que por certo possibilitará a críticos e colecionadores avaliar em maior profundidade o que há de típico e pessoal em sua produção, caracterizada desde o início, quando surgiram os primeiros engravatados, pela intenção satírica ou mordaz, de crítica ou caricatura à sociedade e aos costumes, tudo isso em meio a certa atmosfera panfletária mas à qual não falta uma pitada de humor, coisa sempre tão difícil de se obter em se tratando de artes visuais.
A despeito de praticar com desenvoltura, porque há muitos anos, a gravura em madeira, pedra ou metal, aliás com apreciáveis resultados técnicos, Paulo Cheida não pretende ser um virtuose, até por não conceder à técnica senão a função que lhe compete, de veículo ou medium para a evocação de seu mundo interior rico e original. Pode-se inclusive conjecturar que as preocupações desse artista gravador não se dirigem tanto à gramática quanto à linguagem, embora uma não prescinda da outra. No seu caso específico, aliás, cumpre observar que o desenho e a gravura, mais do que a pintura ou a escultura, adequam-se como uma luva ao seu mundo de idéias, pela própria natureza das artes gráficas, dificilmente de podendo conceber qualquer uma das bizarras figurações que concretiza – “Na terra das bananas”, “Equilíbrio brasileiro”, Guerra dos Chapeus”, para só ficar nesses exemplos - fora dos limites da xilo, da lito ou da água-forte.
Paulo Cheida é gravador original, repetimos, que ocupa um espaço próprio na crônica da gravura brasileira de hoje.

José Roberto Teixeira Leite
O dedo do poder
(Linogravura – 30,5 X 25 cm - 1994)

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