A Garganta da Serpente
(15.05.04 / 14.06.04)

Felicidade Clandestina - Kenzo Sasaoka

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A felicidade é impalpável. Cada pessoa vive a felicidade de uma maneira muito própria e muitas vezes esta felicidade é clandestina, pois somente quem a sente pode compreendê-la. A felicidade é um sentimento muito pessoal, que pode ser compartilhado ou não. Tudo depende de como a felicidade é sentida e vivida. Alcançar a felicidade é uma luta constante que depende de muita esperança: que o dia seguinte será melhor e diferente. Ao mesmo tempo, essa busca é carregada de ansiedade e decepções, pois o tão sonhado "dia seguinte", às vezes, nunca chega. Para se entender e compartilhar a alegria de alguém é necessário que se tenha sentimentos recíprocos, que haja cumplicidade ao dividir uma coisa tão pessoal com alguém. Observamos e sentimos as coisas de formas diferentes. O que é felicidade para uns é a ruína de outros, para alguns pode ser um motivo tolo e para outros o triunfo. Talvez, manter um olhar clandestino sobre a felicidade seja a melhor forma de conservá-la por mais tempo junto de você. Muitas vezes, a felicidade não está estampada nos rostos das pessoas. Elas são felizes e não demonstram isso para os outros. Outras vezes, a felicidade permanece, mas torna-se cada vez mais desapercebida com o passar dos anos. Para mergulhar nesse universo complexo e clandestino da felicidade (retratado no conto homônimo de Clarice Lispector), tomei os olhos de um louco, que é feliz apenas por observar, como narrador onisciente, o cotidiano a sua volta.

(Kenzo Sasaoka)

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