A Garganta da Serpente
Linguagem de Cobra estilística e metalinguagem
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A Linguagem

signos.:

A linguagem é um sistema de signos que variam de acordo com o tipo de relação com o objeto representado.
Há três tipos de signos:
- Ícone: implica uma relação de semelhança (ex.: fotografia, desenhos)
- Índice: implica uma relação de causa e efeito (ex.: nuvens como signos de chuva)
- Símbolo: implica uma relação arbitrária, regida por convenção. É exclusividade humana. Por isso dizemos que o mundo humano é simbólico (ex.: aliança como símbolo do casamento).

homem X animal.:

A linguagem é que distingue o homem do animal.
O animal não conhece o símbolo, somente o índice, uma forma fixa e única de relação com a coisa a que se refere. A linguagem animal visa a adaptação a uma situação concreta, enquanto a linguagem humana intervém como um abstrato da situação, situando-nos no tempo através do pensamento, enquanto o animal vive no presente.

linguagem simbólica.:

O homem é o único animal capaz de criar símbolos, isto é, signos universais, convencionais, versáteis, flexíveis e arbitrários em relação ao objeto que representam.
Como seus símbolos não tem nada a ver com os objetos que representam e são aceitos por convenção, a linguagem humana depende da aceitação social e é, necessariamente, uma construção racional, traduzindo-se como um dos principais instrumentos na formação do mundo cultural.
É a linguagem simbólica que nos permite transcender nossa experiência. O simples pronunciar de uma palavra re-presenta, ou seja, torna presente à nossa consciência o objeto a que ela se refere.
O nome é o símbolo dos objetos que existem no mundo natural e das entidades abstratas que só existem no nosso pensamento: os sentimentos. Assim, o nome projeta a experiência, instaurando a temporalidade.
Através da linguagem, o homem passa a poder pensar o passado e o futuro, e com isso, construir o seu projeto de vida. Pelas palavras, podemos transmitir o conhecimento acumulado por uma pessoa ou sociedade. Podemos passar adiante esta construção da razão que se chama cultura.

pensamento.:

Assim como há vários tipos de linguagem, existem vários tipos de pensamentos.
O pensamento concreto forma-se a partir da percepção, isto é, da representação de objetos reais. É imediato, sensível e intuitivo; dá-se no aqui e agora, é momentâneo.
O pensamento abstrato estabelece relações que criam os conceitos e as noções gerais abstratas. É mediato, racional e precisa da mediação da linguagem, além de situar-se no tempo.
Dessa forma, a língua - o sistema de signos de uma comunidade - apresenta-se como condição necessária para o pensamento abstrato e conceitual, por ser um sistema simbólico que nos permite transcender o dado vivido e construir um mundo de idéias.

linguagem e cultura.:

Cada língua possui uma estruturação própria em nível de repertório e de regras de combinação e de uso dos signos. Só quando conhecemos tais elementos é que podemos dizer que dominamos uma linguagem.
A estruturação da língua influencia a percepção da realidade e o nível de abstração e generalização do pensamento. Além disso, cada indivíduo seleciona, no código da língua, os elementos que lhe convêm, o de acordo com o contexto sócio-cultural em que vive e também conforme seu gosto e sua necessidade. Dessa maneira, dentro da unidade da língua, encontramos uma expressiva diversificação.
Quando o homem não tem oportunidade de desenvolver e enriquecer a linguagem, torna-se incapaz não só de compreender o mundo que o cerca, mas também de agir sobre ele.
Quando a palavra, que distingue o homem de todos os seres vivos, encontra-se enfraquecida na sua possibilidade de expressão, é o próprio homem que se desumaniza.
A linguagem é assim, um dos principais instrumentos na formação do mundo cultural, pois é ela que nos permite transcender a nossa experiência, transmitindo o pensamento do homem sob a forma de ciência, técnica e arte.

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