TROVADORISMO
Poesia Trovadoresca.:
Na literatura, o Trovadorismo foi a primeira
escola literária portuguesa. Esse movimento compreende o período
que vai, aproximadamente, do século XII ao século XIV.
Convencionou-se que o marco inicial do
Trovadorismo data da primeira cantiga feita por Paio Soares Taveirós, provavelmente
em 1189 (ou 1198?), intitulada Cantiga de Guarvaia, mais conhecida como Cantiga
da Ribeirinha. Essa cantiga, originalmente em galego-português, um romanço
(língua de origem latina falada na costa da Península Ibérica)
- visto que ainda não havia uma unidade lingüística entre Portugal
e a Galiza - foi endereçada a Maria Pais Ribeiro (a ribeirinha), uma mulher
muito cobiçada na corte portuguesa e que foi amante de D. Sanho I, o segundo
rei de Portugal.
A poesia trovadoresca era cantada na
língua galego-portuguesa e acompanhada por instrumentos musicais, caracterizando-se
pela tradição oral e coletiva.
Numa época em que a população
era quase toda analfabeta, a cultura era transmitida essencialmente por via oral,
o que estabelecia um dualismo lingüístico entre a cultura monástica
(escrita e erudita, inicialmente só expressa em latim) e a cultura laica
ou profana, transmitida oralmente, em língua galego-portuguesa, onde se
inclui a poesia trovadoresca.
A poesia trovadoresca tem origem em duas
tradições poéticas fundamentais: a tradição
popular da região e a influência direta do "troubadours"
provençais. Compreende um conjunto de cerca de 1600 cantigas de caráter
profano, com temática pagã, erótica e satírica, a
que poderemos acrescentar cerca de 400 poemas de conteúdo religioso. Há
um predomínio da literatura oral, associada à música e à
dança. A poesia não era escrita para ser lida por um leitor solitário.
Os poemas eram cantados e acompanhados de instrumentos musicais, recebendo o nome de cantigas (ou ainda de canções ou cantos), e eram próprias
para apresentações coletivas. Seu público não era,
portanto, constituído de leitores, mas de ouvintes. Infelizmente, as partituras das músicas se perderam quase todas, sobrando nos dias de hoje apenas cinco, escritas por Martim Codax.
- Trovador: Aquele que escreve as cantigas
(geralmente nobres). Cabe lembrar que são sempre homens.
- Menestréis: músicos-poetas sedentários; viviam nas casas de fidalgos.
- Segréis: trovadores profissionais, fidalgos desqualificados que iam de
corte em corte, acompanhados por um jogral.
- Jograis: do provençal: joglar = brincar. Cantores e tangedores ambulantes, geralmente de origem plebéia (espécie de bobos da corte, que apenas executavam ou interpretavam as composições alheias).
- Soldadeira ou Jogralesca; moça que dançava e tocava castanholas
ou pandeiro.
Esses artistas eram a "alma" das trovas, porque eles as interpretavam e tinham que transmitir todo sentimento passado por seus personagens, suas decepções, saudades, ilusões, sofrimentos e a dor de um amor impossível.
Devido ao fato de serem poesias cantadas,
são de tradição popular e são menos sofisticadas em
relação à poesia escrita, apresentando simplicidade temática
e formal. Quanto à forma, as cantigas dividem-se em:
- Cantigas de Maestria: sete versos em cada estrofe, sem refrão, mais difíceis e sofisticadas.
- Cantigas de Refrão: quatro versos em cada estrofe, com repetição de um deles (refrão) no final, mais populares.
- Cantigas Paralelísticas: há versos encadeados que repetem a mesma estrutura, com pequenas variações, em pares de estrofes consecutivos, com rimas.
Quanto a temática, as cantigas podem ser divididas em dois grandes grupos:
cantigas líricas (cantigas de amor e cantigas de amigo) e cantigas satíricas
(cantigas de escárnio e cantigas de maldizer). Do ponto de vista literário,
as cantigas líricas, nas quais o amor é temática constante,
apresentam maior potencial pois formam a base da poesia lírica portuguesa
e até brasileira. Já as cantigas satíricas, geralmente, tratavam
de personalidades da época, numa linguagem popular e muitas vezes obscena.
Só tardiamente (a partir do final do século XIII) as cantigas foram compiladas em manuscritos chamados cancioneiros. Três desses livros, contendo aproximadamente 1 680 cantigas, chegaram até nós:
- Cancioneiro da Ajuda (310 Cantigas).
- Cancioneiro da Vaticana (1205 Cantigas).
- Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa (1647 Cantigas), também
conhecido por Cancioneiro Colocci-Brancutti.
Gêneros:
- lírico (cantigas de amigo e cantigas de amor): o amor é a temática
constante
- satírico (cantigas de escárnio e de mal dizer): crítica social.

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