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CLASSICISMO

A Era Clássica foi o período que se estendeu até o séc. XVIII com o interesse pela cultura clássica greco-latina e a imitação de seus autores, introduzida pelo Classicismo (séc. XVI) e seguida pelo Barroco (séc. XVII) e pelo Arcadismo (séc. XVIII).

De maneira geral, pode-se dizer que o Classicismo se traduz no estudo, tradução, recuperação e difusão da cultura greco-romana. Ou seja, a arte renascentista está voltada para dois horizontes: de um lado, os modelos da cultura clássica greco-latina, fonte de inspiração para humanistas e renascentistas; de outro o seu próprio tempo, na qual o espírito de aventuras trazido pelas navegações apresenta um homem que desafia os limites do mundo conhecido e se lança na conquista do globo terrestre.

O Classicismo no mundo.:

Grécia: berço do primeiro período clássico ocidental, cujo apogeu se dá no séc. V e IV a.C. Os gregos exaltaram a razão o e condenaram o sentimentalismo e o exagero. Tentaram ver toda a realidade por meio de um sistema unificado que lhes desse significado e direção. Os artistas gregos mostraram a beleza numa escala humana mais do que numa escala sobrenatural. As esculturas de Fídias e Praxíteles são magníficos exemplos de figuras humanas bem proporcionadas. Ésquilo, Sófocles e Eurípedes escreveram tragédias que mostram o valor da moderação e o perigo do orgulho excessivo.

Roma: adotou os valores clássicos gregos. Sob a influência de Cícero (de 80 a.C. a 27 a.C.), homem de Estado e tribuno, as responsabilidades cívicas ganharam uma nova importância. Mas a literatura romana atingiu o apogeu durante o governo de Augusto (27 a.C. a 14 d.C), quando quase todos os escritores eram clássicos.

Itália (séc. XV): o movimento renascentista recuperou os ideais clássicos e conciliou-os com a tradição cristã. O Renascimento literário italiano teve como seu grande precursor Petrarca, que difundiu os modelos clássicos e renovou a métrica de sua língua. Em seguida foram estudadas as teorias literárias de Horácio, resgatadas por eruditos como Gian Giorgio Trissino e Julius Caesar Scaliger, que em suas Poetice (1561; Poéticas) estabeleceu a regra das três unidades (tempo, lugar e ação), conforme o modelo aristotélico. Partindo da Itália, essa corrente classicista estendeu-se por toda Europa.

França (séc. XVII): desenvolveu os valores clássicos de maneira mais expressiva do que qualquer outro, com forte ênfase à razão e à inteligência na análise das idéias e ações humanas. Entre as mais importantes personalidades da história intelectual e literária deste período estão o matemático e filósofo René Descartes, o escritor moralista duque de La Rochefoucauld, o escritor de fábulas Jean de La Fontaine e os dramaturgos Pierre Corneille e Jean Racine.

Inglaterra: seguiu o classicismo francês. Surgiu no fim do séc. XVII e chegou ao apogeu na metade do séc. XVIII. Os ingleses chamaram seu movimento de neoclassicismo, tomando como modelo o classicismo da França, Grécia e Roma.

Portugal (séc. XVI): vivia seu apogeu político e econômico, com a expansão marítima (grandes navegações), as colônias e o comércio com as Índias. Luís de Camões foi seu maior representante.

Características literárias.:

A cultura renascentista - patrocinada pelos mecenas burgueses, como os Medici de Florença - vai mudar a imagem que o homem tinha de si mesmo, trazendo os conceitos do Classicismo, Humanismo, Antropocentrismo e do Racionalismo.

Universalismo: os escritores renascentistas passam a valorizar os temas universalistas e racionais. O predomínio da razão exige a expressão de verdades universais, absolutas e eternas, desprezando o individual, o particular e o relativo: a obra deveria valer para todos e não estar voltada apenas aos problemas pessoais do autor. Somente aquilo que é lógico, sentido, palpável, é trabalhado nesse período literário. Não há lugar para abstrações, devaneios ou tudo aquilo que é subjetivo.

Racionalismo: nas obras renascentistas há o primado da razão sobre emoções e sentimentos (ex.: Camões vai definir o amor). O homem renascentista acredita que tudo se explica pela razão e pela ciência.

A natureza também passa a ser valorizada e encarada de forma diferente, como tema de estudo e investigação, para ser utilizada como instrumento do homem. O racionalismo e a preocupação com o homem e a natureza estimulam a pesquisa científica.

Dessa maneira, foi uma época marcada pela libertação do pensamento que culminou com o nascimento da ciência moderna, com grandes avanços na Matemática, Medicina, Astronomia e Física. A Terra deixou de ser o centro do universo, como pregava a Igreja Católica, e o sol passou a figurar no centro do sistema planetário (teoria heliocêntrica).

O Antropocentrismo, por sua vez, colocou o ser humano no centro do universo, como "a medida de todas as coisas". O mundo e as idéias deixaram de girar em torno de Deus (Teocentrismo) e passaram a centrar-se no homem. Há uma exaltação das faculdades e da dignidade do ser humano, com a valorização das capacidades físicas e espirituais do homem, destacando-o como um ser livre, capaz de alcançar a felicidade terrena e de criar seu próprio projeto e vida, permitindo a busca pela fama e pela glória terrena. O homem renascentista já não vive tão angustiado com as questões religiosas quanto o homem medieval.

Paganismo: a mitologia greco-romana passa a ser utilizada como instrumento do Antropocentrismo, visto que tal cultura pagã, anterior ao aparecimento do cristianismo, valorizava o indivíduo, seus feitos heróicos e sua capacidade de dominar e transformar o mundo.

Dessa maneira, o estudo, a tradução, a difusão e a imitação dos modelos artísticos e culturais greco-romanos da Antigüidade foram as bases da renovação cultural e literária do Classicismo. A arte era vista como mimese pelos renascentistas, isto é, imitação (tanto da natureza como dos modelos greco-latinos, considerados como modelo de perfeição). Todavia, cabe ressaltar que isto não significava copiar, e sim recriar. Os autores clássicos mais seguidos no Classicismo foram Homero, Virgílio, Ovídio, dentre outros. Deuses, heróis e personagens da cultura greco-romana foram sendo "incorporados" nas artes dos autores Clássicos.

Outra característica encontrada foi a personificação: atribuição de qualidades humanas a seres não-humanos.

A filosofia de Platão também teve grande influência no período Clássico. O Humanismo tem por base o Neoplatonismo, que exalta os valores humanos e dá nova dimensão ao homem, cujo valor passa a estar no produto de seu próprio esforço e talento. Até o século XV, apenas uma pequena parte de sua obra era conhecida. Em 1481, o humanista italiano Ficino traduziu todos os seus textos para o latim, colocando-o ao alcance dos intelectuais.

Segundo a concepção platônica, existem dois mundos: o Mundo dos Fenômenos (o mundo das sombras e da aparência, percebido através dos sentidos, e por isso mesmo ilusório e confuso, onde nada é estável ou permanente) e o Mundo das Idéias (o mundo da essência, mais elevado, espiritual e eterno, onde está a imutável essência de todas as coisas e acessível somente através da razão). Obviamente a filosofia de Platão também sofreu influências das idéias cristãs que imperavam na época. Com isso, o "Mundo das Idéias", o reino da Verdade absoluta, passou a ser associado ao Céu cristão. De qualquer forma, seu pensamento marcou bastante a vida cultural do Renascimento e sua concepção do amor platônico foi muito difundida: os autores clássicos passaram a buscar um amor elevado, idealizado, espiritualizado e racional, que se aproximava da Verdade Absoluta. Dessa maneira, o amor passou a ser visto de uma forma distante, em que muitas vezes o ser amado não tem conhecimento de sua situação e o desejo é aplacado pelo juízo.

Há uma busca pela clareza de idéias, de exposição, pela harmonia, pela simplicidade e pelo equilíbrio e objetividade na forma literária, ligados à razão e à idéia da imitação. Usa-se uma linguagem sóbria, simples e precisa.

A influência de Platão também se reflete no culto à beleza e à perfeição, visto que o conceito estético ("belo") acaba se confundindo com o conceito ético ("bem").

Outra preocupação constante é a obediência a regras e preceitos estéticos. Os autores precisavam obedecer a regras, principalmente as enunciadas por Aristóteles e Horácio: Ars Poetica (ex.: a tragédia deveria ter uma única ação confinada ao clímax; unidade de tempo: máximo de 24 horas; mesmo cenário). Cabe lembrar que a própria obediência às regras é uma forma de controlar os sentimentos e as emoções através da razão.

A obediência às regras também se traduz no Formalismo: busca da perfeição através da sujeição a normas rígidas de conteúdo e forma. Havia uma busca pelo rigor na métrica e na rima e o uso da ordem inversa, com uma enorme preocupação com a correção gramatical.

Houve a substituição da "medida velha" medieval (redondilhos menor e maior - de 5 e 7 sílabas métricas) pela medida nova, proveniente da Itália: sonetos (versos decassílabos distribuídos em duas quadras e dois tercetos). Essa nova forma de fazer poesia foi chamada de "dolce stil nuovo", ou "doce novo estilo", por Dante (cabe lembrar que a "Divina Comédia" de Dante é considerada o marco da transição da Idade Média para o Renascimento). O soneto foi uma das formas poéticas mais usadas na Era Clássica e suas estrutura segue a lógica aristotélica: tese (1ª estrofe), antítese (2ª) e síntese (3ª e 4ª).

Além de criarem o soneto, os humanistas italianos recuperaram outras formas de inspiração clássica:

  • écloga: composição geralmente dialogada, em que o poeta idealiza assuntos sobre a vida no campo. Suas personagens são pastores (éclogas pastoris), pescadores (éclogas pisctórias) ou caçadores (éclogas venatórias);
  • elegia: poema de fundo melancólico, que fala dos sentimentos tristes ou é inspirada neles;
  • ode: composição pequena, de caráter erudito, com elevação do pensamento, sobre vários assuntos. As odes podem ser classificadas em pendáricas (cantam heróis ou acontecimentos grandiosos), anacreônicas (cantam o amor e a beleza), e satíricas (celebram assuntos morais e / ou filosóficos);
  • epístola: composição em que o autor expõe suas idéias e opiniões, em estilo calmo e familiar. Pode ser doutrinária, amorosa ou satírica. É feita à maneira de uma carta;
  • epitalâmio: composição em honra aos recém casados, própria para ser recitada em bodas;
  • canção: composição erudita, de longas estrofes, versos decassílabos por vezes entremeados com outros de seis sílabas (heróicos) e de caráter amoroso;
  • epigrama: composição de 2 ou 3 versos com pensamentos engenhosos e de estilo cintilante;
  • sextilha: composição de seis estrofes de seis versos com uma forma muito engenhosa, em que as palavras finais dos versos de todas as outras, apenas com a ordem trocada;
  • ditirambo: canto coral constituído por um poema lírico de versos e estrofes irregulares, que exprimem entusiasmo, sensualidade e paixão. Composto inicialmente para os cultos em honra ao deus Dionísio, está na origem da tragédia grega.


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