A Garganta da Serpente
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La Fontaine
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Jean de La Fontaine


O lobo e a cegonha
(La Fontaine)

Vorazes comem lobos;
Nada lhes vence a gana;
Eis o que fez um deles
Em farta comezaina

Tão sôfrego engolira,
Sua avidez foi tanta,
Que de través lhe fica
Um osso na garganta.

Sentindo-se engasgado
E sem poder gritar.
Julgou-se na agonia
E prestes a espirar.

Uma cegonha (ó dita!)
Passa dali vizinha;
Chamada por acenos,
Vem acudi-lo asinha.

Com grande habilidade
Procede à operação;
Retira o osso - e a paga
Requer do comilão.

"A paga! (exclama o lobo)
Comadre! Estás brincando!
Pois não te deixo livre,
A vida desfrutando?

Não me saiu dos dentes
Tua cabeça intacta?
Vai-te e das minhas garras
Cuida em fugir, ingrata!"

(fonte: "Fábulas de La Fontaine". Tradução: Barão de Paranapiacaba
Rio de Janeiro: Editora Brasil-América - EBAL - SA, 1985)

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