A Garganta da Serpente
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La Fontaine
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Jean de La Fontaine


A lebre e a perdiz
(La Fontaine)

Dos miseráveis
Nunca zombeis.
Quem diz que sempre
Feliz sereis?

Mais de um exemplo
Do sábio Esopo
Conspira em prova
Do nosso escopo.

O que em meus versos
Agora cito
Foi noutros termos
Por ele escrito.

Tinham num campo
Lebre e perdiz
(Ao que parece)
Vida feliz.

Uns cães se achegam
Do lar tranqüilo;
Vai longe a lebre
Buscando asilo.

Perde-lhe o rastro
Toda a matilha,
E nem Lindóia
Lhe dá na trilha.

De quente corpo
A emanação
Ao faro a indica
De um fino cão.

Filosofando,
Nelusco arteiro,
Conhece a lebre
Só pelo cheiro.

No encalço aperta
Da fugitiva;
Não quer que a presa
Lhe escape viva.

"A caça foi-se
(Diz Carabi);
Acreditai-me;
Nunca menti".

Cansada, a lebre
Fugiu, correndo;
Ao pé da furna
Caiu, morrendo.

Diz, por motejo,
A companheira:
"Pois não campavas
De ser ligeira!

Teus pés velozes
Pra que prestaram
Se dos molossos
Te não livraram?"

Enquanto zomba
Da desgraçada
Dá-lhe a matilha
Rude assaltada.

Fia das asas
O salvamento.
Louca esperança!
Vão pensamento!

Do açor as garras,
Mísera, esquece!
Mal ergue o vôo,
Nelas perece.

(fonte: "Fábulas de La Fontaine". Tradução: Barão de Paranapiacaba
Rio de Janeiro: Editora Brasil-América - EBAL - SA, 1985)

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