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Um homem tinha
Uma galinha,
Que Juno bela,
Por desenfado,
Tinha fadado:
Vivia ela
Dentro dum covo,
E punha um ovo
De ouro luzente
Em cada um dia,
Que valeria,
Seguramente,
Dobrão e meio;
Mas o patrão,
Um dia cheio
De ímpia ambição,
Foi-se à galinha
E degolou-a.
Examinou-a;
Porque supunha
Que em si continha
Rico tesouro,
Visto que punha
Os ovos de ouro.
Mas nada achou.
E, por avaro,
Se despojou
Do rico amparo
Que nela tinha.
Outra galinha
jamais topou
Com tal condão.
E assim pagou
Sua ambição.
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