La Fontaine |
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Jean de La Fontaine
O carvalho e a cana
(La Fontaine)
- Teu ser bem pouco à natureza deve! -
Disse o carvalho à cana. -
O pássaro mais leve,
Se pousa sobre ti, logo te abana;
Um ligeiro soprar
Que a face encrespa do regato, apenas,
Faz-te logo vergar
E obriga-te a sofrer bem duras penas;
Enquanto eu ergo a fronte com vaidade,
Do sol detenho o raio;
Todo vento é-me um zéfiro de maio,
Para ti, todo o vento é vendaval!
Se da minha ramada
Nascesses abrigada,
Não sofrerias um tamanho mal.
O fado foi contigo muito injusto!
- A tua compaixão -
Lhe respondeu o arbusto -
Abona o teu sensível coração;
Mas tanto não te mates
Chorando as minhas penas:
Melhor que tu, do vento sofro embates;
Não quebro, dobro apenas.
Tens-te agüentado bem,
Tens resistido a rígidas nortadas...
Porém, atrás do tempo, tempo vem!
Taís vozes acabadas,
Bóreas em seus furores se despica;
A pobre cana dobra,
Firme o carvalho fica.
Ativa Bóreas a feroz manobra,
Faz tão cruenta guerra,
Que deita, enfim, por terra,
Quem com a fronte nos astros topetava
E no abismo as raízes ocultava!
Não consegue o seu fim na estância térrea
Quem tudo quer levar à virga-férrea;
E é de crer que bem pouco se moleste
O que se abaixa quando a onda investe.
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(fonte: "Fábulas de La Fontaine". Tradução: José Inácio de Araújo
Rio de Janeiro: Editora Brasil-América - EBAL - SA, 1985)
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