Leonardo da Vinci |
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A pulga e o carneiro
(Leonardo da Vinci)
Certo dia, uma pulga que morava no pêlo macio de um cachorro, sentiu
um agradável cheiro de lã.
- Que será isso?
Deu um salto e viu que o cachorro adormecera encostado à pele de um carneiro.
- Esta pele é exatamente o que preciso - disse a pulga - é mais
espessa e mais macia, e principalmente mais segura. Não corro o risco
de ser encontrada pelas patas e pelos dentes do cachorro, que a toda hora me
procuram. E a pele do carneiro deve ser, certamente, mais agradável.
Então, sem mais pensar, a pulga mudou-se de casa, saltando das costas
do cachorro para a pele do carneiro. Porém a lã era espessa, tão
espessa que era difícil atravessá-la para chegar até a
pele. Tentou e tornou a tentar, separando pacientemente os fios, procurando
laboriosamente um caminho. finalmente atingiu as raízes dos pelos, mas
eles eram tão juntos que ficavam praticamente encostados uns nos outros.
A pulga não encontrou sequer um furinho através do qual pudesse
atingir a pele do animal.
Cansada, banhada em suor e profundamente desapontada, a pulga resignou-se a
voltar para o cachorro. Porém o cachorro não estava mais lá.
Pobre pulga! Chorou dias a fio de arrependimento por seu erro.
(fonte: Leonardo da Vinci. "Fábulas e Lendas", interpretadas e transcritas por Bruno Nardini. São Paulo: Círculo do Livro S.A.,
1972)
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