A Garganta da Serpente
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Leonardo da Vinci
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A língua e os dentes
(Leonardo da Vinci)

Era uma vez um menino que tinha o mau hábito de falar mais que o necessário.

- Que língua! - suspiraram os dentes certo dia - nunca fica parada, nunca sossega!

- Por que é que vocês estão resmungando? - perguntou a língua em tom arrogante - vocês, os dentes, são meros escravos, e seu trabalho resume-se em mastigar o que eu decidir. Não temos nada em comum, e não permitirei que vocês se metam em meus negócios.

E então o menino continuou falando, algumas vezes de maneira imprópria, e sua língua sentia-se muito feliz, aprendendo novas palavras a cada dia.

Porém um dia o menino comportou-se mal e permitiu à sua língua contar uma grande mentira. Os dentes obedeceram ao coração, fecharam-se e morderam a língua.

A partir desse dia a língua tornou-se tímida e prudente, e passou a pensar duas vezes antes de falar.

(fonte: Leonardo da Vinci. "Fábulas e Lendas", interpretadas e
transcritas por Bruno Nardini. São Paulo: Círculo do Livro S.A., 1972)

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