A Garganta da Serpente
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Fabio Rocha
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- Fabio Rocha -
Entrevista concedida a Rodrigo de Souza Leão nosso habitante para o Balacobaco

Sou Fabio José Alfredo Santos da Rocha, carioca, 25 anos. Escrevo poemas desde 1994, quando fazia engenharia elétrica na UFRJ. Larguei a engenharia,mas a poesia não me largou... :) Hoje sou estudante de Administração de Empresas na UERJ. Desde 1997, alguns dos meus poemas e contos foram destaques em diversos concursos literários nacionais e internacionais e vêm ganhando espaço na mídia. Adorei o poema "A Magia da Poesia" ter sido selecionado para circular nos ônibus (em "busdoors") de Blumenau, divulgando a campanha do "Poematerapia"

Além disso, tenho um site que é minha paixão, "A Magia da Poesia" visitar link.


Em Drummond você diz: "Ser Pedra/Ou ser poeta". Por que escolheu ser poeta?
(OBS: O nome do poema é "Escolha", dedicado a Drummond, e é "Ser pedra ou poeta" num só verso - o último)

Na verdade, não sinto que um belo dia decidi ser poeta... Foi algo que começou meio por acidente, depois eu insisti no erro e gradualmente cheguei a isso que sou hoje: nada, uma pedra no caminho. Sempre gostei de fazer as pessoas tropeçarem em suas certezas.
Qual influência tem de Quintana?
Acho que o que mais aprendi com Quintana é que podia escrever de modo simples, sem hermetismos, na linguagem e no conteúdo... E que um pouco de ironia e humor não vão mal na poesia.

Para mim, a obra-prima dele é o "Poeminha do contra" (Todos estes que aí estão / Atravancando o meu caminho, / Eles passarão. / Eu passarinho!). É belo, conciso, simples e com uma mensagem forte.
Como foi ganhar o prêmio do site POEMAS AZUIS?
Sem dúvida foi o meu prêmio mais importante, porque além de eu ter conseguido o primeiro lugar, foi julgado por um poeta consagrado, a quem aprecio muito, o Affonso Romano de Sant'Anna. Foi uma satisfação dupla.
Quem é o poenauta brasileiro?
É o poeta vivo e atuante, que consegue ser lido sem gastar um dinheirão.

E, geralmente, não se perde no hermetismo, que é quase a regra da poesia não virtual contemporânea.
Qual poema seu personifica melhor a sua obra? Fale sobre.
Realmente não sei responder a essa pergunta. Eu escrevo muito, quase um poema por dia, e mudo muito também, juntamente com o que escrevo... Hoje adoro um poema, amanhã acho horrível. Aí fica difícil ter um poema único que consiga personificar tudo o que escrevo.
Como é manter o site A MAGIA DA POESIA?
É um prazer tão grande que vicia... É muito bom ter alguém me lendo,mandando comentários e trocando idéias... Saber que é possível emocionar pessoas, mesmo as muito distantes, é algo precioso. A net é o melhor instrumento que conheço para isso. Um livro editado custa muito caro, com público reduzido e, pra completar, a distribuição em livrarias é uma droga.

Por isso acho que a internet é a mídia mais eficiente para divulgar trabalhos escritos para autores novos. Pensando nisso é que lancei o concurso de poesias do site, onde o primeiro prêmio ganha uma página sob medida para divulgar seus trabalhos, feita por mim mesmo.
Qual é a magia da poesia?
Misturar palavras, rimas, imagens, lógica e emoção de modo diferente em cada um que lê. O poema se transformar de leitor para leitor é o que acho mais mágico na poesia.
Tem algum mote?
"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive." Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa) - 14/2/1933
Qual o aspecto mais importante dentro de um poema? Fale-me de um aspecto teórico e um aspecto teórico ou não que faça ou seja característica da sua poesia?
Para mim ainda é o conteúdo o mais importante. Minha poesia não tem uma base teórica, vai saindo. Às vezes dou uma aparada aqui e ali, às vezes deixo como vem originalmente. Quem sabe, se eu tiver sorte, anos após a minha morte, não haverá teses de mestrado ou doutorado nas faculdades de Letras do país explicando detalhadamente os porquês do que escrevo hoje? :)
Qual o papel do escritor na sociedade?
Escrever de modo a fazer o leitor sentir algo novo ou velho de modo diferente. Emocioná-lo, chocá-lo, desafiá-lo, fazê-lo duvidar de si mesmo e do mundo, inspirá-lo.

(2002)

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