Entrevista com:
- Carlos Magno -
Entrevista concedida a Rodrigo de Souza Leão para o Balacobaco
Administrador, aposentado como Analista de orçamento do Governo do Distrito
Federal. Sou considerado candango (fundador de Brasília - 1958). Fui
Diretor-Geral dos Ministérios da Educação e Cultura, Indústria
e Comércio, Agricultura, Seplan e Ministério da Justiça.
Sou professor de Administração pública do antigo DASP,
SAF, Escola de Administração Fazendária e outras. Sou casado
com Maria Auxiliadora de Mello Dias, mineira como eu, 6 filhos (todos brasilienses)
7 netos (um australiano) e tenho 64 anos. Nasci em Lavras, MG e fui criado em
Santa Rita do Sapucaí (MG). O resto, Brasília e agora Belo Horizonte.
Tenho os livros publicados Nós, a essência, Utopia, Como Seria
o Brasil se Deus fosse Brasileiro, Lua Azul, Cicio, Cartas de Brasília
e três peças teatrais encenadas Redenção de uma raça,
Um natal muito especial e Pórtico dos Sonhos.
Qual a importância de Vinícius na sua poesia? Por que escrever
sobre o amor?
Praticamente nenhuma. Sou de uma geração mais antiga onde Augusto
dos Anjos pontificava: "Vês? Ninguém assistiu ao formidável
enterro da tua última quimera", Álvares de Azevedo e os mais
"atuais" eram Bandeira, Drummond e depois Thiago de Mello e Manoel
de Barros. Escrever sobre o amor faz parte da minha essência. Cheguei
a escrever num jornal de Lavras (MG) minha terra, "Uma declaração
de amor por dia", durante três anos. Foram quase mil declarações
e uma parte delas sairá em livro: Minhas Lavras.
"É meu direito sagrado/querer-te tanto/quanto te quero".
Qual o tamanho do querer de um indivíduo apaixonado?
Não sei e acho que ninguém sabe; ama-se de tantas formas, com
intensidade e força diferentes a cada hora do dia, na ausência
e no encontro, até na esperança e na saudade, sem limites físicos,
espirituais e até morais.
"Você está/intensamente longe/Está assim mesmo,extensamente
longe". Há distâncias para o amor?
Há. Quando está perto tem de ser pertíssimo, dentro, como
se a mulher amada não fosse uma pessoa e sim um lugar, onde a gente se
sente, se compreende, se integra. Se está longe, há a espera,
o medo, a saudade, a falta de paz, até a insegurança. Amar de
longe é morrer aos poucos.
Qual o papel da internet no seu dia a dia?
Contato. O melhor meio de reduzir as ausências.
Alguns poetas dizem que poemas derramados são uma arapuca. Estes
poetas dizem que não passam de uma confissão barata e que nada
têm de poético. O que deve ter um bom poema? O que é poesia?
Se os poetas fossem pessoas normais e os poemas fossem conceitos matemáticos,
a opinião desses caras seria axiomática. Eu derramo meus versos
porque minha alma é derramada e se o que sai são confissões
baratas é a minha poesia e eu não a rotulo, apenas a sinto e quem
a lê sente com a intensidade que passo. Atinjo o meu propósito.
Quais foram as sensações que teve no primeiro contato com
a poesia?
Faço poesia desde a adolescência : "Tenho medo, atroz, voraz/um
dúbio medo me encerra/caminho em busca da paz/e só te encontro
na guerra" ou "você acontecerá ferindo/sorrindo/sei lá;/vou
deixar o tempo escoar/escoando junto,/sem pressa de chegar". Se não
bom, sempre fui poeta, sempre sou poeta.
Quem é o escritor brasileiro? Como viver de literatura? Quem é
o seu paradigma de escritor?
Um ser em convulsão permanente. Um homem que tem medo de terminar um
livro, mesmo como eu que escrevo sempre primeiro o último capítulo
de um romance e entra em depressão do medo da procura do Editor. Viver
de literatura? O texto não tem importância se quem escreve tem
nome: Há mais de um ano ouço falar em Saraminda, de José
Sarney, que sequer saiu: Você viu falar em nós, a essência,
que está na segunda edição e foi lançado por Carlos
Magno Maia Dias em 1986? Paradigma de escritor? Machado de Assis e João
Ubaldo Ribeiro.
O que faz nas horas de lazer? Quais os filmes, as músicas, obras
de arte que mais "abalam" as suas estruturas de artista?
Jogo tênis, sinuca (tenho um recorde mundial de jogador mais rápido
- 106 pontos numa única "tacada" em dois minutos cravados -
19 bolas encaçapadas). Filmes. Assisto todos os lançamentos, vou
ao cinema quase todos os dias e a predileção é por histórias
fantásticas, aventuras, ação e maravilhas como Filhos do
Paraíso, uma obra prima iraniana, que recomendo efusivamente.
Tem algum mote?
Vencer sem perigo é triunfar sem glória (Corneille)
Qual o papel do escritor na sociedade?
Insignificante. Há uma enorme diferença entre quem escreve e
quem publica. Nos países adiantados os editores correm atrás dos
escritores que correm dos editores. Aqui é exatamente ao contrário,
ou pior, porque sequer temos acesso aos editores, apenas aos funcionários
sem poder de decisão e que escrevem cartas informando que o texto é
ótimo, mas infelizmente não cabe na linha editorial etc..
(2002)
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