A Garganta da Serpente
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Rubenio Marcelo
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A festa das figuras
(Rubenio Marcelo)

Cansado das teorias,
Mas sem expor sua IMAGEM,
Um catedrático mestre
Fez uma festa-homenagem;
E os convidados bacanas
Não eram figuras humanas,
Mas Figuras de Linguagem.

E dizem que a tietagem
Não tem nem COMPARAÇÃO;
Tudo foi organizado
Com PERSONIFICAÇÃO.
Executaram a idéia
O mestre e a ETOPÉIA
Com a ajuda de ELISÃO.

Foi grande a REPERCUSSÃO,
Assaz a ALEGORIA;
As mesas ao derredor
Do salão, com SIMETRIA;
E PLOCE, com seu xaveco,
Cantava e fazia ECO,
Com autêntica harmonia.

Sorrindo, com IRONIA,
Para a EPANADIPLOSE,
Foi chegando o PLEONASMO
Exibindo boa dose
De confraternização...
Assim, sem SUBJEÇÃO,
Beijou a HIPOTIPOSE.

Aí a MESODIPLOSE,
Com grande EXCLAMAÇÃO,
Disse: "Quem quiser dançar,
Dirija-se pro salão".
E mostrando-se astuto,
O velho ANACOLUTO
Fez a sua IMPRECAÇÃO.

E sem INTERROGAÇÃO,
Logo abraçou ANÁFORA;
Enquanto POLIPTOTO
Foi conduzindo a METÁFORA
Para o salão da festança,
Onde já estavam em dança
LITOTE com EPANÁFORA.

Assim, nessa mesma hora,
o ISOCOLO e a ELÍPSE
Entraram acompanhados
de EPÍTETO e SILEPSE;
Enquanto isso, o HIATO
Com seu amigo HIPERBATO
Paqueravam a PROLEPSE.

EPÂNODO com METALEPSE
Esnobavam romantismo,
Namorando aos olhares
De TMESE e EUFEMISMO;
E pertinho da piscina,
Dona ZEUGMA, bailarina,
Já flertava o ASTEÍSMO.

E nesse DIALOGISMO,
Com nobre Figuração,
A festa continuava
Já pelo madrugadão...
No CLÍMAX desse colóquio,
Num magistral CIRCUNLÓQUIO,
Que bela ALITERAÇÃO!

Sem haver CONTRADIÇÃO,
A dona PARONOMÁSIA,
Na mesa, com sua irmã,
A bela ANTONOMÁSIA,
Tomavam chá com biscoito,
Juntas com HOMEOPTOTO,
POLISSÍNDETO e sua amásia.

Numa perfeita ASSONÂNCIA,
PARRÉSIA e METONÍMIA,
Disputavam INOPINADO,
Com a linda SINONÍMIA;
Mas quem ganhou essa tese
Foi a dona CATACRESE
Com sua beleza exímia.

Com seu jeito de menina,
Para chamar atenção,
Desfilava a PERÍFRASE
Com ENÁLAGE e ALUSÃO.
Aí a PROSOPOPÉIA
Com a ONOMATOPÉIA
Foram deixando o salão.

Porém, sem PRETERIÇÃO,
HIPÉRBATO "entrou de sola",
Na ânsia de conquistar
A bonitona PARÁBOLA,
Mas logo quedou-se pasmo,
Pois aquela, com SARCASMO,
Nem ligou pra sua "bola".

Tocando a sua viola,
Solando bela canção,
Chegou a SINESTESIA,
Com ritmo em GRADAÇÃO...
E nisso, tomando um gole,
A exagerada HIPÉRBOLE
Enalteceu o refrão.

Fazendo ACUMULAÇÃO,
SÍMILE e ANTILOGIA
Também entraram no som,
Já quase ao raiar do dia.
E ANTÍTESE, HIPÉRBOLE,
SÍNQUISE e ANTIMETÁBOLE
Brincavam em alegria...

Chegou também ENARGIA,
Com DIÉRESE e PERÍFRASE,
Puxando DIALOGISMO
Com o SÍMBOLO e ANTÍFRASE;
E nesse EPIFONEMA,
Armaram um outro esquema
Pra casa de ANTANACLASE.

APÓSTROFE essa fase,
EPIZEUXE, com candura,
Fez o anúncio do término
Do Baile-literatura;
E, com um ar de tristeza,
Mas denotando nobreza,
Foram saindo as Figuras...

E, nos braços da Cultura,
Prosódia, Morfologia,
E as Figuras de Estilo,
Que às de Sintaxe dão cria,
Todas foram pros seus lares:
Velhas lousas escolares
E ditosa bibliografia.

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