A Garganta da Serpente
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João Camilo Hernades
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Zé da Binha e a sua máquina de fabricar dinheiro
(João Camilo Hernades)

O cidadão Zé da Binha embarca na Estação Rodoviária da sua cidade natal Santo Antonio de Bocoió num ônibus da "Águia Branca" tendo como destino Salvador, a capital da Bahia.

Tarefa importante: lá, "na Bahia", comprar um caminhão mesmo que de "segunda mão". Na chegada ele, vacilão, faz amizade com um refinado vigarista que o convence a comprar, não um caminhão, mas sim, uma "máquina de fabricar dinheiro". Zerada! Novinha em folha!

Zé da Binha, muito "sabido", faz questão de exigir logo uma demonstração quanto ao funcionamento da dita cuja.. Esta, habilmente operada, "cuspia" notas de 10, 50 e 100 reais em questão de segundos. Maravilha! Zé da Binha não pestanejou: face a tão maravilhoso desempenho "fechou negocio", na hora e, logo após, toma o primeiro ônibus de volta para a sua cidade com a sua "impressora de dinheiro" no colo para poupá-la dos solavancos durante a longa viagem.

Na chegada, reunido com familiares e amigos "brocoiences', ele teve uma amarga surpresa: operada por ele, a máquina só "fabricava', notas de R$ 35,00!!!

-Oxente, gente!!! Socorro!!! Eu fui enrolado!!!, esbravejou Zé da Binha a plenos pulmões, puto da vida dentro, e fora, das suas próprias calças.

Foi acalmado pelo seu compadre Chico Botina que pacientemente o aconselhou:

-Fique frio Zé! Não se avexe tanto assim homem de Deus!

Eu tenho uma sugestão para você não ficar no prejuízo.

-Como assim, compadre.

-Como assim? Tome hoje, agora mesmo, um outro ônibus só que desta vez com destino a Teresina, a capital do estado do Piauí.

-Fazer o que lá, Chico?

-Fácil, considerando que Teresina fica "no fim do mundo" e que os terezinenses são super atrasados, que o progresso por lá custa "um século" para chegar, ali, você poderá passar suas notas de 35 reais com a maior facilidade. Bastará tão somente que você argumente que tais notas já estão circulando em Brasília, Rio de Janeiro e pelo "sul maravilha" há várias semanas!

Sugestão esta aceita na mesma hora. E lá vai mais uma vez o nosso Zé da Binha a bordo de um ônibus "Águia Branca" com destino à distante capital do Piauí.

Na chegada, ficou todo "ligado", evitou "conversas fiadas" com pessoas desconhecidas. Seguiu direto para uma lanchonete a fim de fazer a primeira merenda do dia, ansioso em colocar logo em prática a sugestão do seu fiel compadre.

Degustado o rango, que desceu todo "quadrado", lá vem o balconista com o total da despesa , do lanche: R$ 7,00. Zé da Binha então, tranqüilamente, saca do bolso uma nota de 35 reais, e fica aguardando, nervoso, o troco de 28 reais.

-Aqui está seu troco, cavalheiro. São duas notas de 12 reais, "pegadas", e uma nota de 4 reais. Muito obrigado. Volte sempre.

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