| Tamara Costa |
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Do convívio
(Tamara Costa)
"O que desejas de mim
nunca o dará o lampejo de um momento,
a conquista de um dia da montanha."
Lupe Cotrim Garaude (Ao amor, trecho)
Tinha o peito empinado. Recitava com peso, mãozinhas duras, dedos e juntos
poemas de métrica e gosto fino. Dizia-se curioso, amante das obscuridades
e ornamentos causáveis. Dizia-se. Por conta de uma circunstância
circusa, cisão de cu entre outras palavras e gestos negados abaixo do tapete
ou grudado em baixo das cadeiras, lhe foi vetado o bico e as fodas várias.
Fazia amor e pouco Amália no escuro e só em pensamento o gozo prolongava.
Nunca se irritava. Sabe-se que as fúrias acabam agindo como expelidor de
cães. Estes ficavam presos em casa, na área externa com uma venda
na boca. Rumores barulhos pra dentro, de puro pra fora. Que um dia Amália
resolveu deixar a cabana. Cabana de dois para morar perto do rio e das lamas.
Dentro e fora da casa porque só depende da limpeza que se faz. Se for pra
dentro limpo com desodorante ou alvejante se é pra fora chuva que leva
pra dentro. Não tem saída. A casa enforca conforme o descuido. Pensar
que um dia a água derramou e foi a caminho da barragem, encontro das águas
e ali não sobrou nada. Na caixa. As reservas não foram cumpridas
como os porcos de palha e pau. Penso que pau seja o meio-termo do descuido cuidadoso,
como o sujo-limpo ou o detalhe do desarrumado. Penso que ele seja tijolo de morada
certa. Quando concentrada no arrume da casa Amália loba descuidava de propósito
as almofadas jogadas ou um lençol sobrando pra fora da cama ou a cortina
de um lado aberta e do outro rasgada. Fazia diferença não deixar
nunca clara ordem e progresso no processo de conviver porque a decepção
seria mais facunda. Ou que fosse mais claro as obscuras que fosse mais claro que
ali por dentro fecundo útero e amamentação, mas também
defesa e ataque. Assim de foice por trás enquanto você dorme. Não
precisa disso não tem alarme porque o passo é o passo. É
só começar perna ante perna, dia pós dia, convivência
e costume. Deixar a mata pra trás que não entrava. Na cabeça
ou no corpo. Fechar tanto as portas da convivência não entrava. Amália
Odiália sim a partir daí seria possuída caos e não
se culpe não possibilite. Crua, ele ali tenso peito duro de portas fechadas
para o vento. Amália de foice tempestade e poucos pensamentos ali fora
recolhendo folhas úmidas.
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