| Silas Corrêa Leite |
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Vôo
(Silas Corrêa Leite)
Queria ter nascido Vôo de Pássaro e não Ser "humanus",
disse certa vez o pianista chorão à imã micro-empresária.
Ela assustou-se a principio, mas estava acostumada com ele que era mais novo
e metido a Poeta Cubista e visionário nas horas vagas.
Quando o coitado finalmente um dia anoiteceu e não amanheceu nunca mais,
ela não se preocupou muito. Cuidou bem dos pertences íntimos,
partituras clássicas e dotes financeiros dele, porque também sabia
escondido que, cada Pássaro pousa um dia e, todo Vôo, cedo ou tarde
vira cerca de tabuinhas brancas.
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