A Garganta da Serpente
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O idiota de má-fama e a louca desinibida
(Rodrigo Novaes de Almeida)

A história que vou contar aconteceu com uma pessoa que muitos dizem não ser digno de confiança. Baita injustiça. É um cara que sempre fez das suas, de fato, e fama é uma coisa que não se apaga facilmente. Má-fama então gruda na gente como piche. Contudo, o cara é um sujeito que podemos até mesmo chamar de gente boa. Apesar das suas, desta vez ele não foi o mandante do crime, muito menos o criminoso. Ele foi a vítima. Mudarei os nomes das pessoas envolvidas ou nem usarei nomes para evitar processos, afinal de contas o narrador aqui é um fodido desgraçado (como se alguma história contada neste blog fosse verídica). [* às gargalhadas *] Comecemos a história. Noite agradável, alguns bebiam cerveja, outros vinho. Eram três homens e duas mulheres em um apartamento. Tocava umas músicas que o narrador aqui nem sonha em se lembrar. A anfitriã, uma tal de Antastúcia (lembrem-se que eu mudei os nomes!), acabara de fazer cirurgia plástica nos seios, e ao contrário do comezinho nosso desses dias, a sua intervenção cirúrgica foi para diminuir os apetrechos. O teor alcoólico nem pode ser usado como atenuante, pois Antastúcia é naturalmente desinibida. Colocou-os para fora e mostrou o resultado do trabalho. Abaixou também a calça jeans, mostrou calcinha, e revelou haver feito lipoaspiração... na barriga. Do material tirado dos seios fez enxerto na bunda. Desperdiçar pra quê? E história vai, nosso personagem e vítima já estava pronto para tudo mais. Até que Antastúcia veio sentar no sofá ao seu lado. Mas antes, como poderia me esquecer!, enxerto na bunda, ela manda que ele a aperte para testemunhar in loco sua nova aquisição. Ele aperta. Ela senta no sofá. Alguns minutos e Antastúcia coloca os peitos para fora da blusa novamente. Desta vez, porém, estão apenas os dois na sala. Ela manda que ele aperte também os peitos "para ver como estão durinhos". Ele aperta e... Pausa para uma breve conversa. Vocês leitores devem estar pensando em como pode, como esse idiota ainda não fez nada, ele é um otário, ele é o cara mais otário da face da Terra!? Voltemos à história. Estava aonde mesmo? Ah, sim, ele aperta e, enquanto aperta, fala uma ou duas palavras e se apresenta, se apresenta para beijá-la. Aleluia! Aleluia! Aleluia nada, de um só golpe Antastúcia se levanta e se pergunta aos brados e aos céus "será que eu dei os sinais errados? Será que eu sempre dou os sinais errados? Não quero nada com você, meu filho!" O quê? Como? Ele, bestificado, pede licença e vai ao banheiro. Pensa. Mija. Pensa mais um pouco. Uma última gotinha. Pensa. Balança. Pensa. Guarda. E volta para a sala. Senta-se no mesmo sofá. Antastúcia ainda a se perguntar "será que eu dou os sinais errados?" Agora com os demais presentes reunidos na sala. Nosso herói então decide. Termina a cerveja, afinal não se desperdiça! Termina o cigarro. Levanta-se e, educadamente, se despede de todos. Vai embora, porra! Dias depois ele fica sabendo que ela contou aos outros nomes não nomeados desta história que foi ele quem a atacou, colocando as mãos não seus peitos (sem pedir licença ou sem que ela mandasse!; é claro que ela não falou nada deste parênteses) e querendo beijá-la. Perguntem a ele se ficou puto da vida? Ele responde que sim, que ficou, mas apenas após saber a versão (falsa!) dela da história. Antes, agiu como um gentleman, foi embora no momento adequado e pronto. Com mulher louca... Mas depois? Ah, depois não! Loucura não é desculpa, e se for é caso de internação em manicômio. Agora imaginem vocês, mulheres, se o cara põe o pau pra fora e manda ver (tocar!) como ele está duro. Ou nunca mais olharão na cara dele ou, se estiverem no clima da coisa, já com vontade dele e do cara dele, pegarão. Aí ele vira e diz "calma aí, minha filha! Eu não quero nada com você. Só mostrei como o meu pau fica duro. Será que mando os sinais errados?" Manicômio, ou então manda tomar no cu porque não presta. Aliás, nem é o caso de prestar ou não, é só caso de mandar tomar no cu e pronto! Mas ele não mandou. Otário.

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