A Garganta da Serpente
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Flores para Maria Luíza
(Roberto Márcio Pimenta)

Casei-me.

Um dia ela me pediu que chegasse mais cedo. À noite encontrei-a dormindo à mesa de jantar. A comida permanecia fria e azeda de tanto esperar. Empresário não tem tempo. Meus negócios eram importantes. Levei-a nos braços para cama.

Outra vez, carinhosamente, me solicitou que eu lesse um poema ou cantasse uma cantiga de ninar para que adormecesse. Sorri de sua loucura e dormi.

Era seu aniversário. Naquele dia estava em Brasília fechando alguns contratos.

Eu era um homem muito ocupado.

Naquela manhã recebo um recado no hotel: Maria Luiza precisava de mim urgente. Abandonei tudo. Queria somente Maria Luiza.

Tomei o primeiro vôo. Comprei um bouquet de flores amarelas e brancas e uma jóia, tal como gostava. Meu coração batia forte e uma saudade imensa invadira meu peito. Em meu corpo havia uma ânsia de abraçá-la, tocar-lhe os cabelos sorrir, como há anos fazíamos. Estava renascendo. Iria viver novamente.

Chegando ao apartamento não a encontrei. O vizinho, com olhos tristes, falou apenas que comparecesse ao Velório do Bosque da Esperança.

Imaginei o seu ato de caridade: Talvez estivesse confortando alguém em pêsames.

Chegando ao velório observo as pessoas dirigindo-se a mim. Olho e vejo Maria Luíza no caixão toda coberta de flores brancas e amarelas, iguais às que eu havia comprado.

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