A Garganta da Serpente
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A Limonada

(Lira Vargas)

Meu pai e Rejane minha irmã, foram convidados a batizar um menino de uma família humilde do bairro.

Chegado o dia do batizado, a família esmerava de atenção naquele jeito simples de pessoas humildes.

Foi colocada a mesa, o almoço era frango assado, arroz, farofa e maionese, e uma jarra de um líquido embaçado, e outra de plástico azul que depois é que Rejane ficou sabendo que era limonada. Rejane muito despachada, foi logo pedindo em voz alta:

- Posso tomar um pouco dessa laranjada? Isso sem saber do que se tratava.

E para sua decepção, alguém respondeu baixinho:

- Não é laranjada é água do poço.

Rejane já levara a boca uma boa porção, e com a boca cheia olhava suplicante para todos sem saber o que fazer, permanecendo com a boca cheia, o compadre humildemente falou:

- Ô comadre, pode engolir, é água da boa.

Rejane obedeceu e deu uma risada sem graça.

No decorrer do almoço foi tudo tranqüilo.

À tarde, o calor era forte, o compadre oferece humildemente um suco, encheu o copo de meu pai, que delicadamente dizia que bastava, e o compadre encheu até a borda, se dirigiu a Rejane que tentou recusar, mas não deu tempo, o compadre encheu seu copo até a borda. Era uma limonada na temperatura ambiente, ou seja, quente, terrível. O compadre permanecia de pé à espera dos copos esvaziarem e papai delicadamente recusava, mas lá vinha mais limonada. Rejane apavorada, olhava para uma janela a sua frente e sonhava com a volta pra casa para livrar-se daquela tortura. E lá veio o compadre com a jarra na mão. Rejane tenta tirar o copo das mãos do compadre, este força sorrindo naquele modo simples, achando que Rejane estava recusando por delicadeza e nessa de puxar o copo, Rejane olha para papai e diz: ei, toma o senhor, eu não quero mais, e o olhar suplicante de papai recusando, o compadre enche o copo de Rejane, que se vira para o de papai que olha desesperado, pois não agüentava mais tanta limonada. E lá vem o compadre com a jarra dizendo: tá calor né compadre?

Papai aceita e fica com o copo na mão cheio e tenta uma conversa sem graça.

Rejane muito astuciosa, olha para a janela a sua frente e diz:

- Compadre, que paisagem linda....

O compadre olha pela janela, e ela aproveita e faz sinal para papai.

- Vamos embora.

Nesse momento a comadre entra e percebe o que Rejane falou e diz:

- Que isso comadre, tá saindo um cafezinho.

Rejane impaciente, faz idéia do novo tormento que estava por vir.

E lá vem a comadre com o café.

Nesse momento, Rejane já se instalara perto da janela.

E toma de café, numa caneca de ágata, cheia, o calor insuportável, Rejane não agüenta, num momento de distração em que os compadres conversavam com papai, Rejane joga o café pela janela.

Nesse momento ela ouve um grito.

O garotinho que ela batizara, estava exatamente abaixo da janela.

- Mãeeeeeeeeeee, tá chovendo café quente.

Rejane põe a mão na boca e dá uma cínica risada.

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