A Garganta da Serpente
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O Sumiço dos Lenhadores

(João Paulo Parisio)

Um dia os lenhadores da aldeia não retornaram da floresta ao fim da tarde, como de costume. Houve alvoroço, e durante a noite seus nomes ressoaram na floresta, invocados por parentes, amigos, inimigos dissimulados e pessoas que acharam a ocasião excitante.

Mas nem a luz do Sol permitiu encontrá-los, e os aldeões voltaram para seus casebres de madeira. Com o cair da noite, o sumiço dos lenhadores foi assunto unânime ao amor do fogo das lareiras, alimentadas por grossos feixes de lenha na frieza da primavera daquelas terras.

O que os aldeões não notaram é que naquela manhã, na pequena clareira em que os lenhadores costumavam se reunir para almoçar e conversar apoiados em seus machados, tinham aparecido novas árvores, em mesmo número que os lenhadores, já adultas, em cujas ramarias estouravam flores vermelhas entre folhas castanhas e acetinadas, e onde os passarinhos celebravam suas núpcias.


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