| Juliana Beatriz Ferst Strapasson |
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Paz Horrenda
(Diva do Inferno)
Problemas, muitos problemas. A depressão e o sistema nervoso alterado
faziam com que sentisse muita dor de cabeça, de estomago, pelo corpo;
além disso, estava com náuseas e muita diarréia.
Seus pais não se importavam, achavam que era frescura de Camile somente
para ficar na cama.
A dor lhe consumia. Remédios, chás, nada adiantava. Não
conseguia comer, sentia tontura ao ficar de pé ou sentada; mal abria
os olhos.
Sem conseguir levantar-se para ir ao banheiro e até mesmo virar-se da
cama, vomitou em si. Tentou chamar seus pais, porém sua voz estava fraca,
e eles estavam muito ocupados rindo na frente da TV para se preocuparem com
a saúde de sua filha.
A dor aumentava, num ataque de tosse, passou a vomitar muito sangue. Assustada
chorava. Lágrimas ferventes escorriam sobre sua face; a febre já
lhe possuíra.
Ficou na cama, calada, com os braços cruzados em seu peito, ensangüentada
e fétida, apenas a espera do juízo final.
Seus pais notaram sua falta somente depois de três dias. A encontraram
na cama, com o rosto coberto de moscas e baratas, cada uma disputando com a
outra a podridão do alimento.
Não choraram, e para não gastarem dinheiro com o enterro, apenas
largaram aquele corpo, imundo, no lixão mais próximo.
(09/11/03)
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