| Juliana Beatriz Ferst Strapasson |
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Paixões
(Diva do Inferno)
Naquela noite, a luz do luar, tudo parecia perfeito para meu namorado. Mas não
para mim.
Percebi que já não correspondia ao amor que ele me dedicava e
que aquela noites românticas, antes tão agradáveis apenas
por sua presença, já não me importavam mais.
Eu queria algo novo, sem tanto mel e com muito mais prazer. Eu queria aventura
e não segurança.
Foi aí que decidi terminar tudo. Para ele foi difícil aceitar
que eu não sou uma mulher feita de amores, e sim de paixões, dessas
quentes que faz o corpo ferver só de lembrar; foi difícil ele
entender que o que passamos foi bom, mas já não me fazia feliz.
Terminar com ele foi a libertação de algo que me sufocava profundamente.
Depois de tudo acabado resolvi procurar Maykon, um ex-namorado no qual, após
uma briga, me arrependi muito de ter terminado o relacionamento.
Fui a casa dele, conversamos bastante e voltamos a namorar. Mas ao contrário
do meu ex-namorado que gostava de namorar a luz do luar, eu e Maykon não
namorávamos; devorávamos.
Passávamos dias e noites incríveis, até que resolvemos
nos casar.
No começo do casamento era tudo maravilhoso. Anos mais tarde fiquei grávida.
A gravidez, apesar de indesejada por ambos, acabou sendo muito tranqüila.
Tivemos duas filhas gêmeas, Ane e Lisa, e vivíamos muito bem, até
que Maykon passou a beber excessivamente.
No inicio nem liguei, afinal sempre bebíamos, mas Maykon se tornou uma
pessoa violenta, que batia em mim e em nossas filhas.
Um dia, ao voltar do trabalho, encontrei Lisa estendida no chão do quarto,
morta. Ane, desesperada, me contou que Maykon chegara em casa bêbado e
espancou Lisa até a morte, e que só não a matou também,
porque havia se escondido em baixo da cama.
Chamei a polícia, que não resolveu o caso. De medo que Maycon
voltasse para matar Ane, saí do emprego, e a partir daí passamos
a viver com a ajuda de amigos.
Uma tarde eu e Ane saímos para passear e, ao voltarmos, encontramos a
casa revirada. Maykon estava lá.
Tempos depois, cansada das agressões e das humilhações
que ele me fazia passar, cometi uma loucura. Um crime necessário.
A noite, quando Maykon já dormia, levantei, fui até a cozinha,
e quando afiava uma faca ele se levantou.
Discutimos muito. Ele me agrediu novamente e deixou alguns hematomas em meu
corpo. Mas aquela seria a última vez.
Peguei a faca e, em um momento de distração, cravei-a em seu peito
várias vezes para ter certeza que o mataria.
E aquela mulher, de paixões inesquecíveis e de poucos sentimentos,
sentiu-se desamparada, e com saudades de quem um dia amou-a a luz do luar.
(01/03/03)
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