| Juliana Beatriz Ferst Strapasson |
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Era uma vez...Um pai
(Diva do Inferno)
Tudo começou com uma discussão.
Gabriela queria sair com seus amigos e seus pais não deixavam.
Ela era uma menina muito sozinha. Sua vida era trabalhar e estudar. Os amigos
que ela tinha iam sumindo gradativamente, pois Gabriela nunca podia acompanhá-los
em shows, festas, barzinhos, etc.
Seus pais a reprimiam muito. Não davam valor ao que ela fazia. Sabiam
apenas cobrar mais e mais responsabilidade de uma menina que não tinha
direito de sair de casa para se divertir.
Uma noite, ao conversar com seu pai a respeito de uma festa, discutiram muito.
Ele alegava que Gabriela, tendo apenas 17 anos, era muito nova para sair e voltar
tarde. Disse também, mesmo sem conhecer os amigos dela, que ela não
deveria andar com um bando de vagabundos que estavam "virando" sua
cabeça.
Gabriela chorou a noite inteira, e jurou para si mesma que, aos poucos, iria
se vingar de seu pai.
Começou colocando vinagre na bebida dele. Ele se queixava do gosto ruim
e algumas vezes chegava a passar mal, mas não abria mão e continuava
bebendo.
Depois de alguns dias, passou a misturar vidro moído no meio da comida
dele. Seu estômago doía. Passava noites em claro, por causa da
maldita dor.
Gabriela deixava de lavar as roupas de seu pai, e ele ficava cada vez mais fétido.
Com coceiras por causa da imundície de suas roupas, apareciam feridas
em seu corpo. Ele sentia-se cada vez pior.
Um dia, após o jantar ele passou muito mal. Foi ao banheiro e vomitou
muito. E a comida que antes descia rasgando, agora voltava. Voltava trazendo
muito sangue, que ele cuspia no vaso.
Gabriela perguntou a ele se precisava de ajuda.
Ele pediu um copo d'água para beber.
Gabriela levou um copo de água salgada para aumentar ainda mais a dor.
O pai de Gabriela percebia nos olhos da filha o ódio que ela sentia.
Morreu olhando para ela, e vendo-a sorrir.
(26/03/03)
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