| Gustavo Lapido Loureiro |
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Método analítico
(Gustavo Lapido Loureiro)
Cada um com os problemas que merece, fulano ali está estagnado na profissão
e não consegue alcançar as metas que o Plano de Desenvolvimento
Pessoal da empresa estabeleceu, ciclano lá quase foi desta para melhor,
carrega hoje duas pontes-de-safena, e prepara-se, talvez, para a terceira que,
com a bondade do bom Deus, só será necessária depois que
conseguir os recursos para instalar uma quadra de tênis no vasto jardim
da sua chácara - no fundo, no fundo, que o ataque venha depois da inauguração,
em grande estilo, todos presentes.
O meu problema são as moscas.
Perseguem-me dia e noite, não me deixam em paz um minuto. Reúnem-se,
multiplicam-se e insinuam-se sem pudor, aproximam-se sem ponderação,
atiram-se, como kamikases, para cima de mim, sem a menor sutileza.
Não gosto dessa atitude.
E o que é pior, interferem no meu sustento. Por algum desses atavismos,
verifico que o ódio às moscas é compartilhado por todos
os passantes.
Fora o efeito colateral terapêutico de me fazerem sentir parte integrante
da Humanidade, ninguém mais se aproxima de mim com os trocados do meu
sustento.
Diabos!
Elas obrigam-me a abandonar o meu retiro espiritual-contemplativo do grande
vai-e-vem das ruas, a exercitar um remoto e abandonado pensamento analítico,
e registrar obsessivamente relações de causa e efeito na busca
de uma solução.
Para o meu problema.
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