A Garganta da Serpente
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O sol não vai se pôr
(Geraldo Crespo)

A luz expande meus olhos e quando fito o mar, deixo transparecer as mágoas que ainda circulam pelo meu peito. O infinito, não é tão imenso e pode desaparecer dentro da ternura do que representa o teu abraço. As amebas que se agruparão em meus gametas, poderão trazer uma nova vida e o mercúrio será o nosso vinho. Não nos deixaremos embriagar, talvez uma nova vida ainda surja pela periferia do universo.

Mesmo que o tempo e o espaço nos roubem a paciência, saberei sossegar para contemplar o teu sorriso. Esteja em que estrela estiver e mesmo que sejam tantas, buscarei incansável até a última das possibilidades. Caçarei dentro dos abismos, feito um triton rondarei pelas fendas e veredas de todos os oceanos mesmo que o enxofre e o magma eu tenha que transpor. Mas bem que podia deixar um sinal.

Quem sabe o sol adormecido, reflita pela derradeira vez um pequeno raio pelas abóbodas celestiais. Caso eu perceba a grandeza desse ato, seguirei em frente e estarei diante dos teus olhos e um novo universo em paralelo se abrirá. Poderemos assim então fechar o caos em si mesmo e recriar a perfeição. Tenha certeza, querida, que somente nós seremos a luz e não deixaremos escapar a supremacia do amor.

Criarei dentro dos teus olhos infinitas tangências de cores. Criaremos estrelas e multiplicaremos vidas pelas nossas próprias vidas. Mas caso eu ainda me falte e retorne ao meu próprio ego, não voltarei a viver entre as farpas e as desgraças que enfrentei. Estarei por ti e ai de quem a toque, pois será a minha Íris e a nossa odisséia trará a grandeza para que possamos sonhar e saber adormecer quando o sol se por. O nosso sol. Nossas estrelas e nossas vidas.

Vamos seguir e traçar os nossos sonhos. Vamos seguir sim e feito crianças deixar as nossas pegadas na areia. Vamos brincar de deuses e criar outros oceanos, outros mundos e fazer pulsar a felicidade para que possamos ser eternos. Ainda te amo e não desisto assim. Por ti trarei um novo big-bang e certamente terei desprezado as mágoas para que eu possa adormecer em teu peito.

Devo sorrir ou simplesmente morrer no instante da nossa canção. Mas não me deixe a incerteza de ser feliz, de sonhar e de te querer. No meu deserto, terás açucenas. Brancas e da cor que nos convir. Saiba que aquele menino ainda vive e viverá para sempre em nosso universo. O sol não vai se pôr.

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