A Garganta da Serpente
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Desenredo
(Esther Torinho)

No quarto da doente, esperavam o desenlace, quando os olhos se entreabriram e a mão apontou para a cômoda, na qual havia um bilhete: "Exilaram-me do seio da família. De ninguém preciso, agora. Exijo morrer sozinha, como me fizeram viver. Exijo morrer em paz."

Saíram, mas ainda puderam sentir um aroma intenso de amor-perfeito, que, apesar da doença maligna, começava a exalar do corpo esquálido, que jazia em desenredo de amargura e ódio na mesma proporção em que antes tecera um grande enredo de amor.










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