A Garganta da Serpente
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A verdade nua e crua

(Eduardo Borsato)

E eu lá sei de alguma coisa, doutor? Trouxeram uma jarra de chope com cachaça. Fortes, os caras. Mocinhos. E tinha o som. Do próprio carro. Aquele monte de alto falante. Aconteceu no bar? Sei não, doutor, já disse. Tinha uma mulatinha, sim. E uma loura. A outra? Que outra?

***

Enorme, a fila do ônibus. Aí resolvi tomar outra condução. Foi quando eles passaram, fiz sinal, entrei, paguei, como todo mundo. Era uma van Castelo/Santa Cruz. Não tinha ar refrigerado, meu banco tava quebrado, um horror. Saltei na Vila Kennedy. Só no dia seguinte é que eu fiquei sabendo.

***

A gente tava no bar, tomando cerveja e vendo o jogo na televisão. Foi quando os três caras entraram. As duas mulheres ficaram lá fora. Tinha um grandão, os outros dois eram como a gente. Não falaram com ninguém, não pediram nada pra beber. Foram direto lá pra trás, pra mesa de sinuquinha. Não demorou muito, alguém gritou e foi aí ...

***

Eu estava no carro, ao lado da loura, a outra sentada perto da janela. Os caras eram tudo gente boa, pai de família. Pararam no bar pra comprar cigarro. Eram dois coroas. A gente era carona, iam levar a gente em casa. Foi muito azar, né?

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