A Garganta da Serpente
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A garota da Vila Mimosa
(Eduardo Borsato)

Ele era tão belo, tão faceiro!
Foi numa noite que ele me comeu.
E depois me comendo continuou
pelo resto do mês inteiro.
Era baixinha, gorduchinha, tinha os cabelos cor de hortênsia, e o riso, ai, deus meu, risinho entrecortado, gozava entre eles, entre suspiros enlevados, e foi nisso, ai, meu deus, que ela me conquistou, para sempre meu coração, ai, deus meu, ela levou.
Ele já estava prontinho,
prontinho e acabado.
Era só requentar o prato,
tudo nele já servido
tudo nele já misturado.
A capela era pequenininha, as colegas dela louras e moreninhas. E o padre. E a música. A bênção foi coisa de pura dor, de penitência. Para mim ali se findava o dia, a noite, a existência.
Na Vila Mimosa continuo.
Meu marido e meu amor
na nossa casa me espera.
Quando chego, de noitinha,
ele me abre a porta,
me dá um abraço, um beijo.
Vejo nele uma agonia.
Ele então me pergunta se
durante todo o dia
eu alguma vez senti amor,
desejo
ou só fantasia.

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