| Gute Batista |
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Lia
(Gute Batista)
Quatro horas da tarde e o telefone já tocava interminavelmente. O calor
da estação mais aguardada dos cariocas tornava a intensidade da
temperatura cansativa aos operários invisiveis, diante dos utópicos
bronzeados plantonistas das areias de Ipanema. Os gritos roucos de sobrevivência
dos ambulantes praianos confundiam-se com as risadas descompromissadas dos jovens
narcíseos. A linda Lia, de Lianda, divertia-se com o sol realçando
sua beleza do dia abençoado. O purgatório do rio 40º graus
tinha sua rainha. O telefone enfim foi atendido, o encontro foi rapidamente
combinado e assim Lia foi-se em direção a residência próxima
de seus pais. Tomou seu banho bem devagar, o sabonete fazia-se deslizar por
sua pele branca, suave, macia... Seus cabelos lisos tomavam o posicionamento
único consubstanciando a forma perfeita intocável.Peça
por peça ela se transformava, o rosto de menina mimada transfigurava
a inocência dos ganhos aludidos. A calcinha branca com listras verticais
em azul torneava o quadril belo impar. Pôs-se ao encontro com a experiência
precoce da vida depositada. Alguns minutos de atraso, a tornava menos vulnerável
ao perigo dos lobos. Qualquer vacilo, talvez não a permitisse contemplar
a beleza sufocante de sua infiel ilustre estrela. Apresentações
feitas ao oficio ardoroso do prazer imprazeroso destinavam-na compulsivamente,
à sede do poder impiedoso. Beijos deflagrados do nojo envolviam os lábios
cansados, exaustos do movimento uniforme incriável na exata proporção
do papel interpretado. Algumas carreiras do vício destinavam-na ao instante
frio, mórbido, insensível. A realidade do retorno não a
adormecia, e as primeiras manifestações de seu companheiro iluminado,
testemunhavam unicamente a solidão de sua agonia.
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