|
|
|
  |
  |
as paredes desse quarto. toda a vida respira dentro de paredes pintadas com
tinta e feita de tijolos vermelhos. meu sangue não se mistura a esse solo
aéreo. minha postura me parece retilínea, mas a você ela continua
defeituosa. com todas as repressões da minha mente eu convivo, em meio a
telas brilhantes que me cegam como nunca me cegaram, como eu nunca precisei.
as imagens tão banais de um dia de imensurável tédio se misturam com atual
sentimento que lhe faz fechar os olhos e o faz parar de sentir. por um tempo
parece que tudo para de funcionar, e algo tão pequeno fica tão grande, a
ponto de me fazer registrar em um lugar tão banal quanto a minha vontade
mútua de orgulho e destreza. a camiseta jogada em meio às almofadas tão
largada quanto o sentimento que te consome e que aos poucos faz sumir quase
tudo em tão pouco tempo. e nessa pequena montanha russa de ódio e amor sua
cabeça se instala apenas no tempo, se iludindo, e pouco a pouco se acumula,
e tenho medo das conseqüências de tais atos. no alto da gangorra o sol me
ilumina, meu prazer consolidado em palavras singelas, em sentimentos tão
pouco camuflados, em palavras de conforto que eu desconheço. e como eu mesma
fosse toda a fantasia que me consome, e toda a realidade que você quer que
eu enxergue, eu estou em uma prisão de sentimentos ridículos, que me
consomem e fazem rir. talvez não seja você que tenha que mudar.
nosteriothipes_
|
|
|
|
 |
| Pois o poeta é como a mulher: precisa de dar à luz (Leopold Sédar Senghor
) |
|