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Amanhã
Amanhã será um novo dia
Da mais bela aurora
Após eu ultrapassar a noite
Meu prazer, meu lazer.
Não lembrarei de outrora
Quando eu vencer este açoite
Que se chama minha morte
A mais suave e etérea das danças
No ritmo das esperanças
Amanhã eu dançarei
E as tristes lembranças,
Eu esnobe, as magoarei.
Estarei sob a luz dum novo sol
Que fará renascer as flores
Dos meus ideais.
Entre as estrelas do arrebol
Tudo será fácil demais,
Minha solitude, meus amores;
Serão sombras irreais.
Quero ansioso viver o sopro,
A indolência desse novo sonho.
Quero aproveitar a inércia
Desta sincera fantasia,
Pois o verdadeiro amanhã não chega
E quando vem logo termina.
Amanhã será da madorna, um novo dia!
Após eu ultrapassar o vale
Dos pesadelos, dos espectros,
Dos medos de minha escuridão.
Amanhã quero ver, quero ler;
Um poema que não fale
Do esforço de ultrapassar
Essa tênue barreira de transição.
Amanhã não quero ouvir nenhum lamento,
Quero viver a dormência,
Quero aproveitar o inaudito momento
Da minha não-existência.
Fabius Sorcier
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| Nem sempre os grandes escritores são bons escritores (Lêdo Ivo
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