O que é análise sintática? Qual sua relevância para o ensino?
(R. Carvalho)
Toda ciência tem seu campo de ação, sua aplicação,
seus princípios e parâmetros, sendo que os princípios são
universais, e já os parâmetros são variáveis; como
também cada uma tem sua metalinguagem.
Adentrar o mundo de uma ciência é como pisar em um terreno ignoto
que somente com muito estudo e assiduidade, pode-se entendê-la e ainda
assim, não se consegue sabê-la no seu todo, mas pode-se adquirir
certo conhecimento em determinadas áreas da ciência.
Como percebem, há um mundo complexo e muitas vezes inacessível
por detrás de conceitos de determinada área de cada ciência.
Como há também, em toda ciência, determinados assuntos que
somos obrigados a estudar, dentro de currículos escolares que passam
a ser questionados quanto a sua utilização prática para
capacitar cidadãos.
Poderíamos dizer que análise sintática é análise
de termos de uma oração. Que análise sintática é
a verificação de cada termo em separado, dentro de uma sentença.
Poderíamos dar vários conceitos isolados que explicam de forma
incompleta e sintética demais, mas vamos tentar passar um conceito com
mais fundamento.
Para entender melhor é necessário que se tenha conhecimento da
morfologia, que é como um campo de seleção com concordância,
colocação e regência, já que análise sintática
é o campo de combinação dos termos de uma sentença
que obedece a três princípios de orientação, que
nada mais é do que o campo de seleção-morfologia. Quando
separamos e confrontamos as duas análises morfo-sintática as diferenças
se tornam bem mais nítidas e compreensíveis.
Quanto a sua relevância para o ensino é relativamente proporcional
às exigências da época e do contexto em que a língua
é praticada. Assim como a neurolingüística é o despertar
de uma nova ciência, nada impede que um dia a análise sintática
não conste mais em um currículo escolar, ou quem sabe, possa ser
modificada e permanecer, afinal quantos anos foram necessários para se
descobrir que nosso movimento terrestre é heliocêntrico? Quanta
informação adquirimos em nossa formação escolar
e não usamos em nossa vida prática?
A análise sintática é um aspecto da língua que
deveria permanecer, por fazer parte da história de nossa língua,
por sua capacidade de nos demonstrar a identidade de cada termo, auxiliando-nos
a criar textos com mais coesão e coerência, por entendermos onde
cada termo deve estar.
Se fôssemos retirar do currículo escolar tudo que "achamos"
desnecessário e que já existe desde a formação da
língua escrita, acabaríamos sem uma ciência, sem a materialidade
da fala, tornando-nos uma nação sem personalidade, sem respeito,
com uma língua tão variada que a sociedade se transformaria no
caos da comunicação, já que até nossa constituinte
estaria escrita de qualquer jeito. A carta magna já é tão
desrespeitada com uma linguagem não coloquial, imagine-a escrita na forma
como se fala.
Sei que o contexto mundial é de mudanças rápidas - carpe
diem - mas vamos dirimir melhor tais mudanças, afinal a língua
faz parte de nossa história, de nossa nação, deixemos que
a ciência da informática se absorva nesse aspecto, ontem megabyte;
hoje terabyte.
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Publicado em: 05/02/2008 |
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