A Garganta da Serpente
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Vamos Falar de Poetas

(Marcial Salaverry)

Desde priscas eras, quando se fala em poetas, a imagem que vem à cabeça dos desavisados é aquela velha figura daquele indivíduo de longa cabeleira desgrenhada, e que vivia eternamente fora da realidade, sempre imaginando quimeras para colocar em suas poesias.

Sempre se imaginou que, para ser poeta, a pessoa teria ser um alienado, vivendo fora da realidade, pois afinal, poesia é fantasia, é utopia... Rimar, rima, mas não é totalmente verdade.

Os poetas, bem como músicos, pintores, contistas, são pessoas normais com as mesmas necessidades de todos, apenas com sua sensibilidade mais desenvolvida. E sempre com uma experiência de vida um pouco mais rica, o que permite melhor ir buscar suas fontes de inspiração. E desenvolver essa inspiração.

Para dizer a verdade, todos temos algo de poeta dentro de nós. Simplesmente alguns tem mais facilidade para soltar suas idéias. Não tem vergonha de expor sua alma, de mostrar ao vivo que tem um espírito romântico. O problema é realmente esse, ou seja, muitas pessoas não conseguem "soltar seu interior", pelo famoso medo do ridículo, por não terem confiança naquilo que escrevem. E talentos são desperdiçados.

Os poetas trazem dentro de si uma vivência muito grande, pois revelam seu interior através de suas poesias. Já um certo Sigmund Freud (tinha que ser ele para explicar isso), nos deixou uma frase lapidar a esse respeito, vejam:

Seja qual for o caminho que eu escolher... um poeta já passou por ele antes de mim...

Com isso, nosso amiguinho quis dizer que um poeta, para ser poeta tem que viver bem intensamente a vida... passar por todas as experiências (ou quase todas), porque deve ter um espírito acima de tudo capaz de perceber as sutilezas da alma humana, e colocar para fora toda a sensibilidade de sua alma e isso não é muito fácil para quem não viveu, e não soube extrair da vida as lições que ela nos deixa.

Através da poesia, o poeta mostra sua alma, conta sua história, realiza suas fantasias, suas quimeras. Há que se saber ler uma poesia, é necessário "ler" as entrelinhas, sentir as sutilezas da "alma poetal".

Muitas vezes é através das poesias que o poeta expressa desejos não realizados, ou conta episódios vividos, deixando sempre para quem o lê a interpretação que cada qual entenderá. Para alguns, é um felizardo que viveu todas as emoções descritas, para outros, um frustrado que não consegue realizar seus desejos e o faz através de seus escritos.

Esse é o grande encanto da poesia... deixar no espírito de quem lê essa grande dúvida... se ela representa apenas uma utopia, ou uma realidade.

Se o poeta é aquilo que ele escreve, ou escreve aquilo que deseja ser.

Se é realmente um romântico, ou se apenas escreve bem sobre romances.

Se realmente está apaixonado, ou se apenas é um "amante do amor", ou seja alguém que cultua o amor como o melhor sentimento que uma pessoa pode ter.

Sempre fica na imaginação o que realmente estará por trás do que é escrito.

Se aquele alguém a quem uma poesia parece ser dedicada é mesmo alguém de carne e osso, ou se apenas representa o desejo do poeta, em sua eterna busca da musa inspiradora.

Muitas vezes um poeta feliz e realizado na vida, poetiza sobre tristezas... Talvez sua alma seja triste. Talvez conte as tristezas de alguém, quem sabe?

A grande verdade é o romance da vida, que sempre nos traz episódios de alegria, de felicidade, de tristeza, de infelicidade, e a sensibilidade maior ou menor que tenhamos de contar esses episódios.

Poetar é um excelente exercício de memória e de imaginação, que todos devem experimentar. Mexe com os sentidos, e desperta sentimentos que muitos julgavam adormecidos.

E com esse espírito, que, poeticamente, desejo a todos UM LINDO DIA.

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