Leonardo Teixeira |
  |
De monossílabos, ofícios e estrangeirismos
(Leonardo Teixeira)
Venho por meio desta, solicitar ao ilustríssimo leitor que repare a melosa
verve proferida nos ofícios e outros comunicados formais. Aquele ar desnecessário
de súplica pedinte com o desfecho massageador do alter-ego. "Sem
mais para o momento, reitero votos de elevada estima e distinta consideração".
Por trás da "especial gentileza e dos bons préstimos"
há outras digressões de sinceridade duvidosa.
Duvidosa é a extraordinária bagagem, como educação
de berço, comunicabilidade e facilidade de expressão de muitos
jovens. A linguagem e os diálogos vão se reduzindo a monossílabos.
Só, aí! Né? Beleza, jóia, bacana. Na moral. Demorou.
Fala sério! Qual é? Falou! Outras vezes a palavra fica ainda reduzida
a grunhidos, resmungos e pequeninos sons tão curtos quanto uma nota batida
num metalofone.
Agora veio um insight en passant de falar sobre a invasão de palavras
estranhas ao nosso vocabulary. Outro mal que assola o nosso português
e dilacera a cultura da nossa pátria: o estrangeirismo. Acha que não?
Leia a hipotética história:
Maurício está com stress. Apesar de ser um jovem muito massa e
cool, com know-how e metido a intelectual pelo simples fato de gostar de nouveau
swing no Free Jazz, teve um workshop com um expert em marketing, mas chegou
atrasado para o breakfeast. Não adiantou culpar o rush. Ainda bem que
o brunch do point era light. Tinha saído de casa sem o milk-shake matinal.
Procurou um restaurante self-service, mas não havia nenhum por ali. O
jeito era um hambúrguer no fast-food, ou qualquer comida do menu. Decidiu
que se plugaria na net para pedir uma pizza no serviço de delivery. Comeu
e tomou um drink assistindo a MTV. O dia deveria melhorar. Comprou uma roupa
fashion num sale do shopping, e nem precisou pechinchar com nenhum outro promoter.
Na volta, outro rush esquentou seus nervos. Pelo menos pôde apreciar um
anúncio de um outdoor. Era uma mulher de biquíni e quase topless,
anunciando um milagroso produto new standart para emagrecer e deixar o corpo
top, sem o abuso de alimentos diet, sem o cansaço dos personal trainers
e sem praticar o body pump. O slogan era perfeito. Foi lendo os anúncios
de buffet. Novos carros com airbags e CD-players de fábrica. Marcou um
encontro pelo celular com uma garota num open bar e correu como se quisesse
bater o record ou chegar na pole position. Acabou batendo o carro e, mesmo tomando
um táxi, chegou atrasado pro happy hour. E ainda teve que pagar o cover
artístico!
"Yes, nóis fala ingrêis procês traveis!" E seguem
os "tijolos gráficos e prosódicos" agredindo a índole
da língua portuguesa. Caberia aqui um manifesto, um protesto contra o
estrangeirismo indigesto, mas estou chegando na dead-line da crônica.
Está dado o recado e enfatizado, por mais que esteja enfadado. Passo
a bola para frente (sem jogar foot-ball). The End!
982 visitas desde 24/06/2008
xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx
|