A Garganta da Serpente
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Jorge Humberto
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A Poesia
(Jorge Humberto)

A poesia é o total desprendimento da alma, com o pensamento como pano de fundo. A emoção toma conta do poeta, que deixa transcorrer o que lhe vai no coração, como uma fonte de águas límpidas. Basta fechar os olhos para que as imagens surjam num corrupio de comoções e de sonhos acordados. Para o poeta a poesia tanto pode usar regras como não fazer uso delas para nada, o que interessa são os sentimentos e o que o comporta. Seduz-se a si mesmo e põe essa sedução no papel, com sofrimento ou alegria. A poesia não tem raça, crença ou cor, é o mesmo sangue que corre nas veias de um qualquer poeta.

Também não tem nacionalidade a poesia é de todos e de ninguém. A partir do momento em que a poesia nasce e se recria, esta deixa de ser pessoal, para ser inter-racial. A poesia surge do nada com a intenção de levar a palavra mais além,
para novos mundos, novos povos, que sustentam várias culturas e modos de vida.
A poesia sai do ventre materno para se manifestar em todo o seu esplendor, causando sensações, emoções e ilusões, que vão muito para lá do racional. A poesia sobressai da pena do poeta, como o vidreiro transforma em arte o vidro que sopra. É alimento de deuses e de princesas resgatadas.

A poesia é os olhos da alma cresce em cada verso, como se fora um coração a bater compassadamente. A poesia não tem pressa, surge naturalmente, mas tem sempre por perto o assentimento do pensamento, que germina subtilmente, dentro do poeta. A poesia principia a surgir no horizonte, desde logo que o poeta se começa a formar, vindo do nada e indo para o tudo. A poesia é maior que o Homem, chegando a vulgarizá-lo e à sua essência primária. As reacções são prontas e o entusiasmo toma conta do poeta, desde as suas primícias. Nas várias variações da poesia estas sempre se apresentam como poesia em si.

A poesia pode evidenciar momentos de prazer, conforme vai sendo construída e alicerçada nos seus parâmetros principais, que são a ideia de qualquer coisa, transportada do interior, para o exterior. A poesia não tem limites e tanto pode ter extensão como ser de forma reduzida, ou minimalista. A poesia é a palavra que tem significado contrário ao de outra que de alguma maneira se opõe. A poesia é um somatório de significações tendo um sentido absoluto na sua relação,
com aquilo que observa sumptuosamente. A poesia tanto pode ser pomposa e faustosa, como não conter grandes aparatos, sendo o mais simples possível.

Não é rica nem pobre a poesia valoriza-se a si mesmo, quanto maior for a sua qualidade artística. De poesia é feito o presente e se relança no futuro com a preceito, com predominações que prevalecem consoante o conhecimento desse futuro. Realça o humanismo e a liberdade dos povos, é humilde ou sarcástica, pode ser romântica e gracejar, jogando com as palavras. A poesia é a base que dá acesso à intervenção política ou religiosa, que mitiga a fome e dá voz a quem não a tem. A linguagem poética deve ser a mais esclarecedora possível, chegando ao alcance de todos. A poesia é a expressão máxima dos homens desde sempre.

(25/08/10)

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