A Garganta da Serpente
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Crônica - um gênero dos tempos modernos

(Hélio Consolaro)

A palavra crônica vem de Chronos, senhor do tempo, o deus grego devorador da vida. Não por acaso, é antes de tudo esse gênero o registro de um aspecto qualquer da existência (social ou individual) como se fosse uma tentativa de eternizar um momento.

Por isso crônica era um texto histórico, que registrava o passado. Os reis possuíam um cronista para registrar a história do reino. A palavra "crônica" é tão ligada ao tempo que significa doença incurável. Doença crônica é aquela com que a pessoa precisa conviver com ela.

Na concepção atual, enquanto literatura, "o gênero permite o exercício da subjetividade (do autor), o prazer e o sabor do texto próprios à arte da narrativa e da reflexão descompromissada. A crônica é mais que uma fotografia, quase uma pintura de cores leves, talvez uma aquarela".

Embora considerada como gênero literário menor ou de pouca importância, a crônica se tornou para determinada parcela de escritores principal instrumento de expressão. E para certa camada da população, a única manifestação literária acessível. Romancistas, poetas, gente do teatro e do cinema escrevem crônicas.

Rubem Braga está na galeria da literatura brasileira unicamente como cronista.

Toda crônica é, entre outras coisas, um relato ou comentário de fatos corriqueiros do dia-a-dia, o restante depende do olhar de cada um... Ela é publicada primeiramente em jornais, depois cada autor seleciona as melhores, as mais universais, e montam seus livros com elas. É um gênero dos tempos modernos, de leitura rápida, que se adapta bem à Internet.

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