Flávio Alves da Silva |
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Relações entre o filme "Tempo de Matar" e o livro "A
Arte de Argumentar" (Abreu, 2005)
(Flávio Alves)
O filme "Tempo de Matar" é caracterizado na área legislativa
do direito penal. Trata-se do julgamento de Call Lyu, um homem negro que é
julgado pelo assassinato público de dois jovens brancos que haviam estuprado
e tentado assassinar sua filha de dez anos de idade. É travada no tribunal,
uma batalha entre seu advogado Dr. Friguence e o promotor público, o
advogado lutando para provar que seu cliente não se encontrava em situações
psicológicas normais quando matou os dois rapazes devendo em razão
disso ser considerado inocente e ser absolvido; enquanto que o promotor pretende
condená-lo a pena máxima que é a pena de morte. Essa batalhe
judicial é determinada pelo embate argumentativo entre o advogado de
defesa e o promotor. Nessa busca por provas, argumentos e técnicas de
argumentação que convençam o júri da inocência
ou da culpabilidade do acusado, o fator determinante para o sucesso da argumentação,
de qualquer uma das partes, é o gerenciamento de razão e emoção.
O acontecimento ocorre no estado da Califórnia que possui uma esmagadora
maioria de sua população de raça branca, e ocorre de forma
explícita, ao público, no salão de entrada do tribunal,
com isso o caso atraiu a atenção de todo o país e acumulou
sobre si toda a pressão da mídia, da opinião pública,
além de provocar confrontos de raças, como as brigas em frente
o tribunal; assim como também serve de pano de fundo para a prática
de outras ações ilegais.
O gerenciamento das informações é o que dá sustentabilidade
aos argumentos lógicos dos expositores, ou melhor, é o que torna
esses argumentos lógicos. Essa busca de informações é
a procura das chamadas provas judiciais que são apresentadas ao júri
com a intencionalidade de convence-lo de que a idéia argumentada é
a correta e com isso persuadi-lo a emitir parecer favorável ao objetivo
do expositor. É o que é feito pela defesa e pela promotoria quando
buscam as testemunhas, os médicos psicanalistas para examinar o acusado,
a arma do crime e etc.
Nessa busca de informações evidencia-se a importância do
gerenciamento de relações. O trabalho em equipe assume papel importantíssimo
no desenrolar dos fatos ao longo do filme. No inicio o advogado de defesa não
trabalha em equipe com seus amigos enquanto que o promotor desenvolve seu trabalho
em equipe e consegue levar vantagem nos primeiros confrontos, mas à medida
que a defesa vai desenvolvendo um trabalho em equipe os resultados favoráveis
vão aparecendo.
As condições de argumentação e o auditório
são limitados, ate certo ponto.
Isso porque os argumentos apresentados devem estar em conformidade com a pertinência
do caso, por exemplo, os argumentos deviam limitar-se ao acontecimento do assassinato
dos dois jovens e não ao que eles tinham feito antes. Já o auditório
era particular, restrito ao júri e toda a argumentação
era deveria ser dirigida exclusivamente a esse. Porém, essas condições
são alargadas pelas diversas abordagens possíveis ao caso, o que
permitia fazer referencias a outros acontecimentos e com isso o auditório
também se torna universal por meio da atenção voltada para
o caso.
As técnicas argumentativas utilizadas pela defesa e pela promotoria são
distintas. A acusação utiliza-se de métodos como o agraciamento
de autoridades, como quando envia ao juiz presentes; faz uso do método
de desestruturalização do adversário procurando manter
dispersa a equipe de defesa e insultando os membros da mesma coletivamente ou
individualmente; sua abordagem das testemunhas no tribunal é de forma
pressionadora, procurando intimida-las levando-as a concordar com seus argumentos
e com isso persuadir o júri pela retórica. Já a defesa
argumenta com método de acompanhamento das provas lógicas e pelo
gerenciamento das emoções.
O gerenciamento das emoções é o fator que determina o resultado
final do processo. Durante todo o decorrer do julgamento acontece alguns fatos
emocionais que evidenciam esse fato, exemplos disso é quando o xerife
e o policial ferido na ação do assassinato depõem no tribunal
e emitem sua opinião favorável a liberdade do acusado e justificam
esse parecer assumindo que tomariam atitudes idênticas ou semelhantes
se o fato que gerou as atitudes do acusado acontecesse com eles, o que evidencia
a importância do gerenciamento de emoções.
O momento culminante do gerenciamento de emoções dar-se no momento
das considerações finais do julgamento. Ate o momento o júri
estava decidido a emitir uma sentença de condenação, porém
a preleção final realizada pela defesa fez uma abordagem do processo
de caráter totalmente emocional colocando o júri em uma simulação
emocional que acabou levando júri a dar parecer favorável à
defesa absolvendo o acusado. Com isso a defesa sagrou-se vitoriosa pela argumentação
emocional.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.:
- ABREU, Antonio Suárez. A Arte de Argumentar: gerenciando razão
e emoção. Ed. São Paulo: Ateliê, 2002.
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