Flávio Alves da Silva |
  |
A prática da leitura na escola
(Flávio Alves da Silva)
RESUMO.:
O ato de ler assume diversas práticas dentro do universo leitura. Cada
leitor em cada leitura, busca diferentes objetivos na leitura movido por forças
motrizes distintas. O presente trabalho apresenta uma análise de diferentes
textos referentes a prática de leitura na escola, evidenciando como é
realizada essa prática e busca-se verificar se a mesma é uma prática
intertextual e dialógica. A fundamentação teórica
e o dialógismo e a intertextualidade de Bakhtin.
PALAVRAS-CHAVE: Leitura, Práticas, Conhecimento.
INTRODUÇÃO.:
Todo e qualquer conhecimento é perpassado pela linguagem e só
através desta pode ser organizado e aferido. Uma das partes constituintes
da linguagem é a leitura, ato por meio do qual o indivíduo constrói
seus significados por meio da interpretação dos significantes
com os quais manteve contato. Segundo Kleiman (1995): "A aprendizagem
da criança na escola está fundamentada na leitura[...]"
com isso a prática da leitura na escola assume um papel vital para a
formação do indivíduo como um ser dialógico. O ato
de ler constitui-se em uma dimensão macrocósmica, recheada de
pequenas partes constitutivas das competências e habilidades individuais
e coletivas do ser em uma diacronia sócio-histórico-cultural de
construção do conhecimento. A leitura é um ato que coloca
o leitor em contato com outras leituras e seus significantes e significados,
promovendo assim a intertextualidade e o dialogismo.
MATERIAIS E MÉTODOS.:
O objetivo deste trabalho é analisar a prática da leitura na escola
em diferentes instâncias. O método utilizado, para tanto, foi a
pesquisa bibliográfica em textos veiculados em diversos meios de comunicação,
livros, revistas, internet. Teve como fundamentação a teoria da
intertextualidade e do dialogismo, de Bakhtin (1998), como elementos constituintes
da formação educacional construtivista.
RESULTADOS E DISCUSSÕES.:
O ato de ler constitui-se em uma dimensão macrocósmica, recheada
de pequenas partes constitutivas das competências e habilidades individuais
e coletivas do ser em uma diacronia sócio-histórico-cultural de
construção do conhecimento. Muito embora esse ato seja abordado
e realizado, em sua quase totalidade, de forma segmentada, com foco direcionado
ao fator de decodificação dos signos lingüísticos.
Esse enfoque decodificatório é bastante utilizado na escola, onde
o que mais importa é que o aluno consiga identificar as letras e suas
associações enquanto palavras. Trata-se de uma prática
"direcionada" para a parte gramatical da língua onde busca-se
(quando se busca algo) simplesmente reconhecer as normas de uso da língua
padrão. Esta postura da escola gera, dentre outras coisas, o desgosto,
o sentido de obrigatoriedade e a aversão pela leitura. Outros dois modos
de utilização/tratamento do ato da leitura nos conduz a utilização
dessa como uma exigência do e para o mercado de trabalho
e/ou como um ato de lazer, restringindo essa leitura a determinadas e específicas
áreas do conhecimento. Em outras palavras, só lemos o que queremos
e/ou o que nos interessa objetivamente, mantendo com isso, mesmo que de forma
mais implícita, a limitação da leitura à microcosmos.
Na primeira deve-se "levar em conta a autonomia relativa que a escola deve
á sua função própria sem deixar escapar as funções
de classe que ela preenche necessariamente numa sociedade dividida em classes"
(Nogueira, 2006) e assim a prática de leitura assume uma função
tecnicista, operacional e obrigatória. Na segunda, a leitura é
um refúgio, um escape para a tensão e o estresse, sendo considerado
apenas como passa tempo, sendo assim desprovida de sentido cognitivo para a
formação significativa do indivíduo. De modo geral, o ato
de ler fica ancorado a uma única forma de utilização e
uma finalidade específica. A busca e seqüencial efetivação
de condições facilitadoras para a prática da leitura deve
ser constante e contínua, portanto, as instituições de
ensino e quaisquer outras que procure ou queira disseminar a prática
da leitura deve se atentar para proporcionar essas situações que
contribuam para a efetivação do processo construtivo do conhecimento.
Essas condições para a prática da leitura são explícitas
e implícitas na formação do saber. A liberdade para escolher
suas leituras e a não obrigatoriedade de resolução de questionários
após a leitura de cada e de todos os textos são exemplos dessas
condições, assim como o incentivo do espelho, no qual o mediador
reflete em si mesmo as vantagens e benefícios do domínio da leitura,
refletindo também o próprio ato de ler. "A aprendizagem da
leitura permite ao leitor conhecer, refletir e atuar sobre esta realidade, fazendo
sentido então ler para escrever, ler para decorar, ler para entender
e escrever para não esquecer" (Cavalcante, 2006), com isso a prática
da leitura não deve ser direcionada estritamente a quantidade, mas deve
haver uma eqüidade entre quantidade e qualidade, levando o indivíduo
a uma aprendizagem significativa. Deve-se criar condições que
facilitem uma prática de leitura diária, em suas várias
instâncias. As várias possibilidades de leitura por parte dos construtores
do ato de ler, assim como a intertextualidade deve ser inserida na leitura possibilitando
o contato com a diversidade de textos existentes, sempre realizando uma relação
dialógica com e entre os conhecimentos teóricos, práticos
e os demais fatores axiológicos, dentro da qual contextualiza-se os saberes
e (re)constrói-se o conhecimento.
CONCLUSÕES.:
Os diferentes textos analisados demonstram que a clareza de objetivos é
fundamental, uma vez que propicia o desenvolvimento e aprimoramento de estratégias
metacognitivas de leitura. Goodman (1991) afirma que "para entender
como a leitura funciona, é necessário entender por que os leitores
lêem", porém a improficiência em leitura da população
brasileira de modo geral é alarmante, pois a prática da leitura
na escola é ministrada de forma monológica e imperativa. Não
há diálogo, pois segundo Bakhtin:
"O diálogo, no sentido estrito do termo, não constitui,
é claro, senão uma das formas, é verdade que das mais
importantes, da interação verbal. Mas pode-se compreender a
palavra 'diálogo' num sentido mais amplo, isto é, não
apenas como a comunicação em voz alta, de pessoas colocadas
face a face, mas toda comunicação verbal, de qualquer tipo que
seja".
Portanto, a leitura não pode limitar-se a uma função específica,
mas deve constituir um ato de formação significativa para o indivíduo
dentro do processo de construção do conhecimento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.:
- BAKTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: Estética da Criação
Verbal. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997. cap. p. 279-326.
- NOGUEIRA, Angra Mendes. A Escola e a Reprodução Social.
2006.
- CAVALCANTE, Télia Batista. A Prática Pedagógica no Ensino
Fundamental. 2006.
xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx
|