Artur da Távola |
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Essa delícia que é ler
(Artur da Távola)
Estava a folhear velhos papéis e rever guardados nessa emoção
saborosa de perder tempo com a memória emotiva e as razões pelas
quais guardamos parte do que nos chega às mãos quando reencontrei
o texto de um escritor japonês utilizado pela Fundação Nacional
do Livro Infantil e Juvenil em um de seus comunicados, anos atrás. E
fiquei a me deliciar com a simplicidade japonesa a narrar como uma coisa simples
pode ser tão agradável ao espírito: ler. Como é
gostoso ler... Aí lembrei-me dos leitores destas crônicas e resolvi
enviar-lhes a mensagem do Shigeo Watanabe:
"Para mim, histórias sempre foram muito importantes: me deram paz
de espírito, ampliaram meus horizontes, me dotaram de delicadeza e da
capacidade de suportar a solidão alimentaram a força que traz
coragem e fibra. Quando constituí minha família, minha mulher
e eu passamos esta extraordinária experiência para nossas crianças.
Os nossos filhos e lendo para eles as histórias preferidas foi fantasticamente
feliz e inesquecível.
Para isso, é claro recorremos aos livros. Através dos livros lidos
em conjunto, encontramos amigos comuns, descobrimos novos reinos da imaginação
e viajamos pelo mundo todo. Os livros partilhados em família são
como o lar dos corações, o lugar onde inauguramos nossa vida espiritual.
Os laços que os livros criam entre pais e filhos são muito fortes.
Acredito firmemente no poder dos livros. Eles registram para sempre as histórias
que as pessoas inventam, muitas vezes com ilustrações, numa forma
simples e acessível a todos. Podem ser lidos a qualquer hora e em qualquer
lugar. Os livros unem corações e mentes transcendendo tempo, espaço,
língua e cultura. Ler é um ato solitário e ao mesmo tempo
partilhado por todas as pessoas do mundo. Se todas as crianças do mundo
pudessem aprender a ler e se cada pessoa tivesse pelo menos um livro, com certeza
as guerras e conflitos que afligem o mundo diminuiriam radicalmente. Todo adulto
que se lembra da sua infância sabe o que era sentir-se sozinho. E nós
lembramos que o que nos salvava da angústia e da solidão e nos
dava esperanças eram os livros e as histórias. Podemos constatar
isso de forma muito clara nos relatos obtidos em campos de refugiados de guerra.
Depois da comida, são os livros que devolvem mais rapidamente o sorriso
ao rosto das crianças. Esses sorrisos nos dizem com toda a certeza: bons
livros infantis podem ajudar a pavimentar o caminho da paz." (Shigeo Watanabe)
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