A Garganta da Serpente
ajuda
 
 
 
  versão para impressãorecomende esta página
Artur da Távola
saiba mais sobre o autor

Crônica da Crônica
(Artur da Távola)

A crônica tem uma conceituação que os intelectuais chamariam de polissêmica, ou seja, possui vários sentidos. Daí ser fascinante. É definida como mero registro cronológico de acontecimentos, daí o nome crônica, que vem de Chronos, que é o Deus do Tempo. Ela seria o registro de um tempo. Tem vários sentidos: de resenha no jornalismo; de registro-comentado de acontecimentos gradativos na vida da cidade; de panorama da visão do mundo, dos costumes e idéias de um determinado tempo na crônica de escritores; do pequeno ensaio como um gênero próximo da crítica.

A crônica é um continente muito apropriado para que nele caiba o ensaio, uma pequena visão analítica de um determinado momento, fato ou pessoa. De Machado de Assis a Rubem Braga e, deste, aos cronistas que estão trabalhando hoje nessa mesma direção a crônica também tem - e essa é uma outra acepção - um aspecto puramente literário. É possível expressar a emoção artística, de maneira literária através de uma crônica. E em jornal... ou rádio. Neste campo ela é mais ampla, pois não é só registro existencial (espécie de um monólogo interior do artista diante dos acontecimentos, externos ou internos); é também a emoção poética pura, só que vazada em prosa: uma espécie de poesia em prosa. Por isso a crônica pode abarcar a poesia e prosa, ser a prosa poética, como também ser tão somente o registro sensível e solipsista de um determinado acontecimento interior. Aí, ela tem características literárias, transformando-se, neste caso, em gênero literário.

A crônica funciona como prosa poetizada de maneira muito eficaz, porque permite uma rápida apreensão de um determinado fato e o transporta desta emoção para o público de forma econômica, simples, direta e imediata.

A crônica serve também de instrumental para o sociólogo, o psicólogo, para captar uma determinada realidade e jogá-la, de maneira clara e já digerida, para o público.

Todas essas acepções da crônica dão-lhe um caráter múltiplo e ao mesmo tempo são os portadores da sua dificuldade, porque ora ela é poesia, ora é prosa poética, ora é análise, ora é psicanálise, ora é psicologia social. Torna-se difícil porque precisa ficar fácil para o leitor sem perda de precisão e profundidade.

Por isso ela é o gênero típico do jornalismo. Porque no jornalismo contemporâneo, que chega a pessoas apressadas, com pouco tempo para leitura, com pouco tempo de consulta e de pesquisa, a crônica é a forma pela qual quem já meditou, pesquisou, estudou, conheceu, viveu, ou "clarividenciou", pode traduzir de maneira econômica e simples o eterno existente em cada efêmero. Assim, o eterno existente em cada efêmero. O cronista vai montando o mosaico do seu tempo.

6349 visitas desde 7/03/2007

xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx xxx

   
 
Últimos artigos:

Livros e sebos
(Artur da Távola)

A poesia como ponto de partida
(Lau Siqueira)

Vamos Falar de Poetas
(Marcial Salaverry)

Pontuação e separação de versos na poesia (Dalva Agne Lynch)

A Feira do Livro de Porto Alegre entre os interesses do mercado e os da sociedade
(Lau Siqueira)

A arte de não ler (Hélio Consolaro)


» Todos os artigos

» Listar autores


Copyright © 1999-2010 A Garganta da Serpente
Direitos reservados aos autores  •  Termos e condições  •  Fale Conosco www.gargantadaserpente.com