Ana Luísa Peluso |
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Como organizar seus escritos
(Ana Luísa Peluso)
Todos nós temos a mania de organizar ou catalogar aquilo que produzimos e se não o fazemos, descobrimos com o passar do tempo que simplesmente nos perdemos entre tantas papeladas, layouts, desenhos e outros afins.
Há os defensores da “bagunça organizada” que por incrível que pareça funciona. E bem.
Para o autor, claro.
Se uma pessoa desconhecida for pesquisar a vida de um escritor ou compositor e se deparar com obras sem datas ou menções da época em que foram escritas, a coisa começa a ficar um tanto quanto difícil.
Imagine um biógrafo poder compilar dados, ou mesmo emoções do biografado sem
se ater à datas?
Tarefa quase impossível.
Para aqueles que gostam de escrever ou mesmo fizeram disso um ofício, a
ordem é imprescindível.
Há uns quatro anos atrás assisti uma entrevista com Gilberto Gil que contou
que sua atual esposa, Flora, estava começando a organizar e compilar seus
discos e canções por ordem de data, verificando tudo, inclusive para
requerer direitos autorais sobre a obra do artista. Ele citou na entrevista
concedida à Jô Soares que havia músicas que nem mesmo ele lembrava de haver
composto. Flora realizou um árduo trabalho com a ajuda da primeira esposa de
Gil.
Dá pra sentir a importância da organização, principalmente no que se refere
à escrita, propriamente dita.
Um autor que tenha seus escritos em ordem, sabe de sua evolução e facilita o
trabalho de quem pesquisa.
Existem, é claro, aqueles autores que nem querem saber do texto após
terminarem de escreve-lo, como Clarice Lispector, por exemplo. Mas fora
algumas extravagâncias de alguns, totalmente toleráveis e até incentivadoras
no que se refere à descobrir mais sobre a personalidade do autor (por que
Clarice agia assim?), continuaremos a incentivar a organização.
Para você que escreve ou pretende escrever, aqui vão algumas dicas:
- Procure datar seus textos. Sejam eles manuscritos, datilografados ou
digitados em micro computadores. Se forem datilografados, procure
organiza-los em uma pasta. No caso do micro computador, crie pastas ou
diretórios para ficar mais fácil na hora de buscar "aquele" texto que você
precisa enviar para uma redação, para conseguir "aquele" emprego.
- Assine todos os seus textos, mesmo que sejam digitais, para poder
requerer direitos sobre eles no momento em que precisar.
- Se houver uma citação referente ao texto, anexe-a junto ao mesmo. Até
você vai acabar compreendendo o por que de ter escrito aquilo.
- Quando enviar uma cópia de um artigo seu a algum veículo de mídia, teste
para empregos, ou mesmo um inofensivo e-mail, não se esqueça de mencionar
aquela velha frase: "Proibida a reprodução total ou parcial de quaisquer
trechos desse texto, sem a permissão prévia do autor". É claro que você não
vai registrar uma patente para cada texto que escreve. Até porque é uma
maneira um tanto quanto cara de proteção de direitos autorais. Mas uma
consulta a um advogado ou mesmo o registro em cartório ajuda muito.
- E por fim, pense sempre que mesmo que você nunca se torne famoso e muito
menos entre para ABL, algum descendente seu vai adorar saber que houve um
escritor na família e querer ler suas obras!
Se você já está no meio daquele romance, aproveite para usar estas dicas. Quem sabe você não será um biografado ilustre daqui a alguns anos?
(10/08/00)
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