A Garganta da Serpente
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Democratização da Literatura

(Alberto Metello Neves)

A edição de um livro exige uma infinita paciência.

As dificuldades que os escritores, principalmente os principiantes encontram são enormes, por não serem ainda conhecidos.

Encontrar uma editora que se proponha a trabalhar os seus originais, é um caso muito sério. São muitos os motivos que levam as editoras a rejeitar textos, desde a não fazer parte da sua linha editorial até o acúmulo de textos a serem lidos pelas equipes que promovem a sua análise. Enfim, o escritor fica sem publicar o seu trabalho. Porém, não deve deixar o desânimo tomar conta. A saída é buscar uma editora pequena, que trabalhe com pequenas tiragens e "bancar" a edição. Assim, o escritor consegue ver o seu trabalho editado.

Feito isto, o próximo passo é o registro do livro na Biblioteca Nacional, para a garantia de seus direitos autorais. Pronto o livro, vem a divulgação e comercialização.

Grande número de leitores, desconhece o escritor que produziu romances, livros de contos, poemas, crônicas, ensaios, etc.

Apenas uma pequena parcela, opta pela leitura de determinado livro, observando detalhes importantes, como:

Nome do escritor, o seu "curriculum",a sinopse do trabalho, a editora, a edição,etc.

Com esses dados, o leitor já pode pressupor a qualidade do conteúdo do livro.

Atualmente esta situação já está mudando. Os escritores estão caminhando em direção aos seus leitores. Não ficam mais aguardando apenas as noites de autógrafos para que os leitores venham adquirir os seus livros.

O escritor deve divulgar bem o seu trabalho e hoje existem recursos variados, inclusive os eletrônicos através das revistas virtuais de literatura, SITES dedicados a esta área do conhecimento, palestras em Faculdades, entrevistas, e promoções feitas pelas editoras e livrarias. Com ampla divulgação do livro, ampliam-se as possibilidades de vendas.

Se ficar à espera de um reconhecimento, sem que haja um grande esforço de sua parte, os seus livros vão "mofar" nas prateleiras de uma editora ou livraria.

Refiro-me principalmente ao escritor profissional, ou seja, aquele que vive ou sobrevive das letras, porém esta colocação é válida para todos aqueles que se propõe a escrever.

Em centros menores, nas cidades do interior, as Feiras do Livro que recebem um número muito grande de visitantes (leitores em potencial), propiciam maiores oportunidades aos leitores de estar pessoalmente com o escritor, conversar com ele e conhecer o seu mundo, como vive, como escreve, como cria, através de um"bate-papo" amigável, o leitor vai olhar a sua obra, de outra maneira, sob uma ótica de maior aceitação.

Esses escritores viajam por este imenso país.

Vão à busca de eventos que facilitam esses contatos com os seus leitores e dessa forma, se fazem conhecidos e também os seus trabalhos.

Participam de Feiras do Livro escritores renomados da literatura brasileira assim como os principiantes. Principalmente para estes, os contatos são uma grande experiência.

Além das Feiras do Livro existem outros projetos com a mesma finalidade: "estreitar as relações entre escritores e leitores".

Em São Paulo, o projeto do Itaú Cultural, Esquina da Palavra. Em Porto Alegre, o projeto Roda da Leitura, patrocinado pelo Centro Cultural do Banco do Brasil.

Esses encontros são tão benéficos para os escritores como para os leitores. Essa aproximação é muito necessária, pois o desconhecimento dos escritores nacionais, leva uma boa parcela a buscar a literatura estrangeira.

A sua influência em nosso País, é muito grande. Basta verificar que as grandes editoras produzem excelentes trabalhos, em sua maioria, traduzidos.

Ainda em São Paulo, surgiu um centro onde os escritores ganharam um espaço para a divulgação de seus trabalhos literários. É o projeto Escritor na Praça, do Shopping SP Market. O projeto visa aproximar o público presente no shopping, dos criadores de contos, poemas, romances, crônicas e ensaios. O escritor após a leitura de trechos de suas obras, coloca-se à disposição do público presente para questionamentos. O mais importante neste tipo de evento, é que as pessoas vão ao shopping fazer as suas compras aos sábados ou mesmo buscar momentos de lazer e acabam transformando esses objetivos em uma atividade literária. A literatura começa a se democratizar. É um avanço da nossa cultura.

(22/11/2001)

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