A Garganta da Serpente
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A cobra

Traiçoeira como a língua do diabo
Ela entrou, negra, na noite brilhante
Do quarto escuro dos amantes
E como se encontrasse seu caminho
Pelas colchas e cobertores
Mordeu-lhe exatamente a maçã

Ele nem sequer pode gritar
Apenas esticar o braço duro
Como se tentasse alcançar a vida
Perdida no quarto escuro

A amante acorda confusa
Apertando seu corpo, ambos nus
E vê seu rosto desfalecer
Como uma pedra atirada ao lago
E a marca de ferida, sangrando
Cravando em sua alma eternamente
A lembrança da perda e da solidão


Janos Biro



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