A Garganta da Serpente
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A cobra

No quarto escuro
Vi a cobra, tortuosa e réptil
Esgueirada num canto imóvel
E o pavor que a acompanhava
Ao lado do mundo trágico

Não nos movemos, cativos
Da percepção e nos olhamos
Através de olhos que não viam

E não havia luz
Que o temor mais enegrecia
E mais horror embrutecia
Da inerte cobra que não via

E do Sol, que em algum canto brilhava,
Uma réstia de luz surgiu,
E vi a corda dobrada
E o encanto sumiu


Hermanno Guimarães



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