A Garganta da Serpente
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Minhas ruas do Ipiranga

Minhas ruas não
existem mais...
Onde foram parar?
Suas casas foram
demolidas.
As pessoas que nelas
moravam, enterradas...
Nossos amigos,
sumidos...
Onde estamos nós?
Nas velhas ruas
tudo mudou.
Construímos as casas,
lutamos.
Nossas paredes,
que nos viram
chorar, sofrer, buscar, foram demolidas
e, com elas
nossos segredos velados...
Não. Elas não
estão mais lá.
Nossas plantas do jardim:
foram arrancadas
e jogadas pelo chão.
Nossas caminhos tortuosos
da diversão
(atrás da Rua Lúcia),
é agora uma avenida seca e nua
sem mais emoção...
As meninas que
conheci,
são senhoras que ontem vi,
com seus filhos e
filhas a ir e vir:
Sabe,
sinto falta
do barro da Macachãs!
só para poder usar,
de novo,
o limpa barro
dalgumas
sobreviventes.



Antônio Jackson de Souza Brandão

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