A Garganta da Serpente
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Paulistano Nativo

Quero ser a enxurrada de tuas garoas
A correr pelas frestas dos paralelepípedos
Que ainda resistem à história.
Ser os bondes e as pessoas elegantes
Pixadas nos muros de teus prédios e avenidas sinuosas

Quero ser a parede de taipa de seu colégio
E ostentar imponentemente o orgulho de suas memórias.
Ser um pintor bandeirante, cuja tela, é a vastidão do céu
E o andaime, o Edifício Itália
Encher tua noite de estrelas, madrugada adentro
Mergulhar no relento...

...Saudosa boêmia.

Quero ser o executivo da Paulista,
O descolado da Algusta
O Boêmio da São João...
Ou um personagem qualquer,
Largado n’algum cortiço do Beco do Piolin

Pois quero ser vertiginosamente altivo e grande como o Banespa
Movido a aspirinas e anfetaminas
Pra acompanhá-la, Paulicéia desvairada
Ser o verde de tuas várzeas,
E as cores vivas das vitrines da Oscar Freire

Ser desbravador como meus ancestrais Bandeirantes,
Aguerrido como teus Índios nativos
E forte como teus bravos imigrantes.

Um Paulistano nativo!



Geremias Costa

(Paulista, natural da cidade de São Paulo. Tem 18 anos e vive no bairro da Freguesia do Ó na Zona Norte da capital. Tem tatuado as próprias costas os dizeres "Pro São Paulo Fiant Eximia" que em Latim quer dizer "Por São Paulo façam coisas grandes")
postado em 27/7/06
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