A Garganta da Serpente
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concreto febril

chega a noite e o ar,
amável, perfuma, atrai,
São Paulo, ai de mim,
mulher outonal, concreto sorris, flor do mal

à noite é galaxia no chão
do alto te quero beijar
belas luzes, urbis estelar
cidade de abismos reversos no ar

me roubas a alma, me tens
nos anos cinquenta que amei:
República, Arouche, velha São João,
britânico cinza, rouge Camarão

a antiga Ifigênia e o Chá
a Bristol, a Dulca e além
a Casa Los Angeles, na velha Barão
O Masp na Abril, a Rua Tres Rios

Eugênio e o órgão às seis
Meu pai, minha mãe e a estação
nos fins de semana, ida a Jundiai
Ó Luz, ai destinos
traidos no fim

frio, discreto, inglês,
vaidoso petit burguês
São Paulo teus charmes discretos de então
repousam no Consolação

Agora, colosso febril
teu novo desenho é fatal
o que é, o que somos oh febre de bits?
zunindo fabris sobre o velho rio?

das Margens à Luz é forjar
vanguardas do bem e do mal
ai musa operária, matriz sem valia
te esquecem e rejeitam
à periferia

fashion, smart and gay
big money new people plays;
baladas, jardins, veludos, cetins
the pleasure of pleasures
anyway

Ó Luz, Tietê
Caetano de campos, Arouche, ABC
Fazer o que?
São Paulo eu te quiz
te quero,
eu te fiz.



Tereza

(paulista(na) residente no RJ )
postado em 25/1/06
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