A Garganta da Serpente
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Aos Tragos

Desço em seu solo, antes de tudo acendo um cigarro.
Começo a retórica entre meus tragos seguidos de fumaça constante.
Já me sinto outro, inícios os passos.
Largas e extensas são suas marginais
Palcos dos carros que codificam e intitulam seu viver frenético.

Mas quem não sente o prazer de contempla – lá constantemente.
Não se pode deixar levar pelo seu ritmo inicial,
Premeditar cada passo em seu território é dar ao seu pensamento vida eterna.
Torna-lo desassossegado aos montes de palavras criadas para descrevê-la.

Dou-me outro trago e lá esta a fumaça desaparecendo novamente,
Como fogem rápido. Dou-me conta disso do desaparecer rápido,
Porque agora a contemplo pelos seus “arranha-céus”.
Janelas, Janelas, janelas...
Atordoado fico com o teor embriagante das histórias que foram vividas,

Dos moradores do mundo que ali viveram, festejaram, choraram
Criaram o progresso que pode ser visto até hoje.
Mas há também o jazigo de muitos que agora se prenderam,
No tempo tornando-os esquecidos. Pincelados estão eternamente em seu centro

Há também os ambulantes que gritam iguais as ambulâncias,
Uns necessitando para viver e outro para salvar.
Do caos que te rodeia e te faz única,
A garoa cai e percebo sua realidade.



Caio Camargo

(Piracicaba-sp)
postado em 29/5/06
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