A Garganta da Serpente
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MATAR OU MORRER

Eu nunca vou me render
A alma é meu tesouro comigo
Por nada haverei de vender
Melhor lutar contra o inimigo
A vida é o que destrói
Quando é ela quem trai
Mas a morte também dói
Se é alguém querido que se vai
Ainda amo, mas quem compreende?
Então, nada a perder, pouco a ganhar
Só caio morto, ninguém me prende
A minha coragem é de se estranhar
Eu sou o prolongamento da faca
No meu corpo frio, quase de metal
E a minha vontade não é fraca
Para mim ou alguém, um gesto é mortal
Soldado sozinho na guerra louca
Matar ou morrer pelo que não sei

Não sei o gosto de um beijo na boca
Meu amor agora esqueci, esqueci a lei
Temo que nunca ache outro amor de novo
Alem desse que me ensinam pela bandeira
É ordem não se render pela honra do povo:
Se cumprir, serei o herói disso a vida inteira
Mas só pela metade dela me lembrarão
Por isso, não queria estar aqui onde estou
Lutando com sangue contra a rendição...
E nessa luta, me destruo e esqueço o que sou
O que me sobrou ser, é um soldado universal
Defensor de pátrias e povos em todas as guerras
Sempre com medo de uma rendição incondicional
Em minha própria nação ou em outras distantes terras.



Samuel souza lima

(carioca)
postado em 24/4/06
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